
A reportagem da revista Veja desta quarta-feira (16) sobre Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, colocou o PT da Bahia no centro de um dos capítulos mais sensíveis do escândalo financeiro. Segundo a publicação, Vorcaro teria se disposto a falar sobre negócios envolvendo o grupo financeiro e administrações petistas no estado, citando especialmente os governos de Jaques Wagner e Rui Costa.
A matéria aponta que a origem dessa relação estaria no ano de 2007, durante a gestão Wagner, quando surgiu a estrutura ligada ao programa Cesta do Povo, criada para permitir compras de servidores públicos estaduais com desconto direto na folha de pagamento.
De acordo com a Veja, esse modelo abriu caminho para a operação que depois ganharia força com o CredCesta, transformado em uma frente relevante de crédito consignado na Bahia.
A reportagem sustenta que, com a entrada de Daniel Vorcaro na operação, o “negócio” teria crescido no funcionalismo estadual, especialmente por meio da modalidade de Reserva de Cartão Consignado, mecanismo que envolve desconto direto no contracheque do servidor.
O nome de Rui Costa aparece em outro ponto delicado da reportagem.
A revista afirma que, em 2022, já durante sua gestão no governo da Bahia, um decreto estadual teria restringido a portabilidade dessas dívidas para outros bancos. Na leitura apresentada pela publicação, a medida teria favorecido a permanência dos contratos dentro da operação e ampliado a presença da instituição financeira no setor de consignados.
O impacto político é grande porque envolve dois ex-governadores petistas da Bahia, um deles hoje ministro do governo Lula, além de uma operação financeira ligada diretamente a servidores públicos.
A reportagem mostra que a ascensão do Banco Master não teria ocorrido apenas pelo mercado financeiro tradicional, mas também por uma rede de relações políticas e institucionais construída ao longo dos anos.
Apesar do peso das acusações, há um ponto fundamental: os relatos atribuídos a Daniel Vorcaro ainda precisam ser comprovados.
A própria Veja registra que Rui Costa nega envolvimento em irregularidades e que as acusações dependem de provas. Também há resistência da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República em relação a partes da colaboração apresentada pelo ex-banqueiro.
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