
Relatórios do Tribunal de Contas do Estado da Bahia colocaram a Sufotur, antiga Bahiatursa, no centro de uma nova crise envolvendo contratações de artistas e atrações culturais com dinheiro público. Segundo reportagem de Alexandre Lyrio, da TV Bahia, divulgada pelo Correio, auditorias apontam indícios de sobrepreço, falta de comprovação de preço de mercado, concentração de pagamentos e falhas administrativas em contratos feitos nos últimos anos.
Um dos casos citados envolve uma artista que recebeu mais de R$ 500 mil por sete apresentações, média acima de R$ 78 mil por show, enquanto a mesma atração teria sido negociada no mercado privado por cerca de R$ 8 mil, diferença aproximada de 870%.
O levantamento também mostra que quatro produtoras, Brilho Estrelar, Estrelar Produções, Tamy Produções Artísticas e Nível Dez, receberam juntas 641 pagamentos entre 2023 e 2025, somando mais de R$ 58 milhões. A Nível Dez recebeu mais de R$ 10 milhões no período, enquanto a Estrelar Produções, ligada a Silvana Maria de Araújo, movimentou cerca de R$ 13 milhões, segundo a reportagem.
O TCE ainda apontou problemas como despesas sem empenho prévio, uso recorrente de pagamentos por indenização, ausência de critérios claros para repasses, possíveis empenhos fictícios e pagamentos sem comprovação da execução dos serviços.
Ao menos dois relatórios e um parecer do Ministério Público de Contas mencionam possibilidade de dolo, mas os casos seguem em apuração.
A pressão aumenta justamente no período das festas juninas. Nesta terça-feira, 16 de junho, o governador Jerônimo Rodrigues autorizou novo aporte de R$ 80 milhões para a Sufotur, sendo R$ 30 milhões para apoio a eventos de interesse turístico e R$ 50 milhões para aplicações diretas da administração pública.
O reforço ocorre em meio a reclamações de artistas sobre pagamentos atrasados e discussão sobre teto de cachês públicos.
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