
Lula saiu do G7 tentando transformar a tensão com Donald Trump em discurso de “soberania”, mas acabou abrindo mais uma frente de desgaste internacional. Em coletiva após a cúpula, o presidente brasileiro reclamou das falas do americano sobre a política nacional, disse que Trump não deve se meter nas eleições do Brasil e afirmou que o republicano age como “imperador”.
O problema é que a bronca veio justamente depois de Trump classificar o Brasil como um país “perigoso politicamente” e após os Estados Unidos enquadrarem facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras, medida que expôs a dificuldade do governo Lula em apresentar resposta firme no tema segurança pública.
Nos bastidores, a passagem pelo G7 também ficou marcada por sinais de desconforto. Lula posou na foto oficial, mas não teve reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos. Segundo a Agência Brasil, o petista disse que não pediu encontro porque Brasil e EUA “já estavam em negociação sobre tarifas”.
O episódio reforçou a imagem de um governo que fala alto para consumo interno, mas encontra pouco espaço real entre as grandes potências quando precisa resolver problemas concretos, como comércio, segurança e pressão diplomática.
A fala de Lula sobre soberania também reacendeu cobranças antigas. O presidente cobra que estrangeiros não opinem sobre a eleição brasileira, mas já se envolveu politicamente em disputas na América Latina, especialmente quando demonstrou preferência pelo campo peronista contra Javier Milei na Argentina.
O governo brasileiro também foi criticado ao conceder asilo à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, condenada em caso ligado à Odebrecht, que chegou ao Brasil em avião da FAB após decisão diplomática de Brasília.
Outro ponto sensível é a relação histórica dos governos petistas com Cuba e Venezuela. O BNDES reconhece operações de financiamento à exportação de serviços para obras no exterior, tema que virou alvo de forte debate público por causa de calotes e dívidas bilionárias de países aliados ideologicamente ao PT.
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