
Se houve um tema que Jaques Wagner fez questão de destacar durante toda a entrevista concedida à Band Bahia após a Operação Compliance Zero, foi sua relação pessoal e política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em diversos momentos da conversa, o senador baiano procurou demonstrar tranquilidade diante da investigação e vinculou essa confiança ao apoio que afirma ter recebido diretamente do presidente da República poucas horas depois da ação da Polícia Federal.
Segundo Wagner, Lula telefonou para ele ainda nesta quinta-feira (18), logo após a repercussão nacional da operação. O senador afirmou que o presidente não discutiu sua permanência na liderança do governo no Senado nem demonstrou qualquer sinal de afastamento político. Pelo contrário. “O presidente Lula ligou pra mim para se solidarizar comigo, dizer que mantém a absoluta confiança em mim”, declarou.
Ao comentar a ligação, Wagner ressaltou a longa convivência entre os dois. “A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe qual é meu jeito de agir”, afirmou. Em outro momento da entrevista, o senador disse acreditar que o histórico construído ao lado de Lula pesa mais do que as acusações que atualmente são investigadas pela Polícia Federal. “Eu prefiro confiar na minha relação e na confiança que o presidente Lula tem na minha trajetória”, acrescentou.
Questionado sobre a possibilidade de ser afastado da liderança do governo para evitar desgaste político ao Palácio do Planalto, Wagner foi categórico ao afirmar que não vê esse cenário como provável. “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula”, reconheceu. “Eu sinceramente acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”.
O senador também procurou comparar sua situação atual com episódios vividos pelo próprio Lula ao longo dos últimos anos. Ao defender sua permanência no cargo, Wagner lembrou que o presidente enfrentou investigações, condenações posteriormente anuladas e até prisão antes de retornar ao Palácio do Planalto.
“Ele já teve problemas até maiores do que esses, como eu tive, mas ele muito pior, que foi preso depois de inocentado e está aí como presidente da República”, declarou.
Ao longo da entrevista, Wagner repetiu diversas vezes que não é réu, não foi condenado e que a investigação ainda está em fase inicial. “Até agora eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada. É uma investigação”, afirmou. Para ele, não existe motivo para que Lula promova qualquer mudança na liderança do governo enquanto não houver uma conclusão formal do caso.
O petista também revelou que o presidente teria interpretado a operação como uma tentativa de enfraquecimento político. Segundo Wagner, Lula teria dito durante a conversa: “Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança”.
A declaração foi um dos pontos mais fortes da entrevista e reforça a estratégia adotada pelo senador de demonstrar alinhamento total com o presidente mesmo diante da crise.
Quando questionado sobre rumores de que integrantes do próprio PT defenderiam seu afastamento da liderança do governo, Wagner minimizou. “Fogo amigo sempre aparece”, respondeu. Apesar disso, voltou a enfatizar que a decisão final pertence exclusivamente ao presidente da República.
“Se ele entender que é melhor eu sair, eu sairei na maior tranquilidade, mas eu não acho que será essa a posição dele.”
Outro aspecto relevante da entrevista foi o esforço do senador para transmitir a ideia de normalidade na relação com o Planalto. Segundo ele, em nenhum momento da conversa Lula mencionou substituição na liderança do governo, preocupação eleitoral ou qualquer mudança na composição política do Senado. Para Wagner, a ligação serviu apenas para reafirmar confiança e solidariedade.
Bahia Notícias Salvador Política Futebol Portal de Notícias TVS1