
A crise envolvendo Jaques Wagner deixou de ser apenas um problema jurídico e virou uma bomba política no colo do PT. Segundo a coluna de Lauro Jardim, em O Globo, Sidônio Palmeira teria orientado Lula a manter distância do senador baiano para evitar que o presidente fosse contaminado pelo desgaste do caso Banco Master. A tentativa de blindagem pegou mal dentro do PT da Bahia, já que Sidônio comandou campanhas históricas do próprio Wagner e de Rui Costa, mas agora aparece nos bastidores como alguém tentando afastar Lula de um aliado de décadas.
O problema é que Wagner não é um petista qualquer: ele foi governador da Bahia, líder do governo no Senado e peça central da engrenagem que ajudou Lula a manter força no Nordeste. Só que a Operação Compliance Zero mudou o ambiente. A Polícia Federal apura suspeitas de atuação em favor de interesses ligados ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto Wagner nega irregularidades. Mesmo assim, o desgaste foi suficiente para ele deixar a liderança do governo no Senado, em meio à pressão de aliados que temiam impacto direto na campanha presidencial de Lula.
Na prática, Lula ficou diante de uma escolha indigesta: se afasta de Wagner e irrita a base petista na Bahia, ou abraça o senador e leva o escândalo junto para o palanque.
Na última agenda no estado, Lula escolheu o abraço, fez desagravo público e chamou Wagner de “irmão”, numa cena que agradou aliados, mas deu munição para a oposição explorar o contraste entre discurso moralista e velha proteção política.
Em um estado onde Lula costuma ter votação acima de 70% e onde o Nordeste foi decisivo em 2022, com 69,34% dos votos válidos para o petista na região, qualquer desgaste no coração da Bahia pode custar caro.
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