
O governo dos Estados Unidos reagiu com dureza à acusação de que dois integrantes do Departamento de Estado viajariam ao Brasil para interferir nas eleições de outubro. Após o Itamaraty negar os vistos de Riley M. Barnes e Samuel Samson, Washington classificou a suspeita como uma “mentira sem fundamento” e afirmou que a passagem por Brasília, prevista entre 27 e 30 de julho, seria uma missão de rotina.
Segundo a versão americana, os encontros tratariam de integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão com autoridades, representantes religiosos e integrantes da sociedade civil.
A desconfiança do governo Lula ganhou força depois de uma reportagem do The Washington Post afirmar, com base em fontes, que os enviados poderiam levantar questionamentos sobre a transparência do sistema eleitoral brasileiro. O problema para a narrativa montada em Brasília é que o próprio Tribunal Superior Eleitoral informou ter sido procurado pela Embaixada dos Estados Unidos, mas admitiu que o assunto da agenda não foi comunicado.
Nenhuma reunião chegou a ser marcada porque o Judiciário estava no recesso de julho.
Sem prova pública de que os diplomatas pretendiam atacar as urnas ou interferir diretamente na disputa, o episódio abriu espaço para críticas de que Lula e o Itamaraty transformaram uma suspeita em novo capítulo do confronto político com Donald Trump. A estratégia pode ajudar o presidente brasileiro a se apresentar como defensor da soberania nacional diante de sua base, mas também aumenta o desgaste diplomático com o principal parceiro comercial do Brasil nas Américas.
Enquanto Brasília trabalha com a hipótese de interferência, Washington nega qualquer manobra e sustenta que a viagem estava dentro das atribuições regulares do Departamento de Estado.
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