
Mesmo enfrentando o governador no exercício do cargo, a estrutura administrativa do Estado e a força política do presidente Lula na Bahia, ACM Neto aparece numericamente à frente de Jerônimo Rodrigues nos dois cenários decisivos medidos pela nova pesquisa Genial/Quaest. No primeiro turno, o candidato do União Brasil tem 39% contra 38% do petista.
Em uma eventual segunda rodada, Neto amplia a vantagem para quatro pontos, com 43% diante de 39% de Jerônimo.
As diferenças estão dentro da margem de erro, mas mostram que o governador ainda não conseguiu assumir a dianteira mesmo dispondo da máquina pública.
O resultado ganha ainda mais peso porque Jerônimo chega à disputa com 57% de aprovação administrativa e conta com o apoio de Lula, que alcança 52% das intenções de voto para presidente no estado. Mesmo assim, o prestígio nacional do petista não foi transferido automaticamente para o candidato à reeleição.
Enquanto Lula abre larga vantagem sobre Flávio Bolsonaro na Bahia, Jerônimo permanece atrás de ACM Neto, revelando que parte do eleitorado consegue separar a disputa nacional da escolha para o Palácio de Ondina.
O grupo governista também dispõe de uma poderosa estrutura de comunicação institucional. A Secretaria de Comunicação da Bahia mantém contratos com agências de publicidade e comunicação digital, além de um painel oficial de pagamentos. No plano federal, o governo Lula prorrogou em maio contratos publicitários que podem chegar a aproximadamente R$ 562 milhões.
Esses recursos são institucionais, não verbas da campanha de Jerônimo, mas ajudam a dimensionar a diferença de exposição existente entre quem controla os governos estadual e federal e um candidato de oposição.
Os recortes da própria Quaest apresentam outros sinais de dificuldade para Jerônimo. ACM Neto tem potencial de voto de 57%, enquanto o governador registra 50%. A rejeição do petista chega a 40%, sete pontos acima dos 33% atribuídos ao ex-prefeito.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, a distância é ainda maior: Neto alcança 44%, contra apenas 29% de Jerônimo.
Depois de quase duas décadas de administrações petistas, a eleição baiana permanece completamente aberta. Treze por cento dos entrevistados ainda estão indecisos e 44% afirmam que podem mudar de candidato, o que impede qualquer previsão definitiva. Ainda assim, a fotografia atual é politicamente desconfortável para Jerônimo: mesmo governando o Estado, apoiado por Lula e cercado por uma ampla estrutura de comunicação, ele não conseguiu ultrapassar ACM Neto.
A Quaest ouviu presencialmente 1.200 eleitores, entre 23 e 27 de julho, em 61 municípios. A margem de erro é de três pontos percentuais, o nível de confiança é de 95% e o levantamento está registrado sob o número BA-02331/2026.
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