
A divulgação de novas pesquisas eleitorais recolocou a Quaest no centro de uma discussão que acompanha o instituto há anos: a suspeita de proximidade política com o PT. Segundo reportagem de O Antagonista, as críticas ganharam força após Arthur Ribeiro Queiroz, que trabalhou como analista da empresa entre abril de 2022 e fevereiro de 2023, ser nomeado para uma função no Gabinete Adjunto de Informações em Apoio à Decisão do Palácio do Planalto.
Nas redes sociais, adversários do governo passaram a usar a nomeação para questionar a independência dos levantamentos.
A desconfiança também é alimentada pelo histórico profissional do diretor da Quaest, Felipe Nunes, que já atuou nas campanhas eleitorais das petistas Dilma Rousseff e Fernando Pimentel. O próprio O Antagonista ressalta, contudo, que Nunes também prestou serviços a políticos de outras legendas.
Diante da pressão, a Quaest anunciou que não realizará pesquisas encomendadas diretamente por candidatos ou partidos nesta eleição, decisão que atribuiu à preservação da credibilidade e do rigor científico.
Críticos do instituto recordam ainda a última pesquisa do primeiro turno presidencial de 2022. Na véspera da votação, a Quaest atribuiu 49% dos votos válidos a Lula e 38% a Jair Bolsonaro, uma diferença de 11 pontos. Nas urnas, Lula terminou com 48,43%, enquanto Bolsonaro alcançou 43,20%, reduzindo a distância real para 5,23 pontos. O instituto acertou aproximadamente o tamanho do voto de Lula, mas subestimou Bolsonaro em mais de cinco pontos, produzindo antes da eleição uma fotografia bem mais confortável para o candidato petista.
A discrepância beneficiou politicamente a narrativa de Lula, mas, isoladamente, não comprova manipulação intencional.
O segundo turno de 2022 apresenta um contraponto importante. A pesquisa final da Quaest indicou Lula com 52% e Bolsonaro com 48% dos votos válidos. O resultado oficial foi de 50,90% para o petista e 49,10% para o então presidente, uma diferença de apenas 1,1 ponto para cada candidato em relação ao levantamento. Nesse caso, o resultado ficou próximo da pesquisa e dentro da margem de erro informada, o que enfraquece a tese de que todos os levantamentos do instituto seriam sistematicamente montados para ampliar a vantagem do PT.
Felipe Nunes afirma que a empresa exige uma quarentena de dois anos para antigos funcionários e diz que a Quaest já foi contratada por PL, União Brasil, PP, PSD, MDB, PSDB, PSB e PT. “Não temos lado, nem preferência”, declarou.
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