
O candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) elevou o tom contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ao afirmar que o petista estaria desviando o debate eleitoral dos problemas mais urgentes enfrentados pela população. Em entrevista à Rádio CBN Salvador, nesta quarta-feira (29), o ex-prefeito usou uma recente discussão sobre “caldo de cana” para acusar o adversário de insensibilidade diante da violência, da fila da regulação, do desemprego e da falta d’água no semiárido.
A declaração ocorreu após Jerônimo relembrar um episódio em que Neto teria rejeitado a bebida durante uma agenda no interior do estado.
“Imagine o governador discutindo o caldo de cana, pelo amor de Deus”, reagiu ACM Neto. Segundo ele, a controvérsia mostraria que Jerônimo não está concentrado nos principais desafios da Bahia. “É o governador que fecha os olhos para os problemas da violência na Bahia, que fecha os olhos para a fila da regulação, que fecha os olhos para o desemprego e para a crise hídrica vivida no semiárido. Enquanto isso, está discutindo caldo de cana”, declarou.
A crítica transforma um episódio aparentemente trivial em símbolo da disputa entre os dois candidatos sobre quais temas devem ocupar o centro da campanha.
Neto também comparou o projeto Sua Voz é Nossa Voz, promovido por sua candidatura, com os Programas de Governo Participativo realizados pelo grupo petista. Ele afirmou que os encontros da oposição foram organizados para que moradores apresentassem problemas e sugestões diretamente aos políticos, enquanto acusou os eventos governistas de serem controlados. A avaliação representa a versão do candidato do União Brasil sobre os dois modelos de construção programática e deverá ser contestada pelo grupo de Jerônimo ao longo da campanha.
Ao comentar o cenário eleitoral, ACM Neto disse que o uso da estrutura política e administrativa do governo não teria produzido crescimento suficiente para Jerônimo nas pesquisas. O levantamento Genial/Quaest divulgado no mesmo dia mostrou empate técnico no primeiro turno: Neto apareceu com 39% e Jerônimo com 38%, considerando a margem de erro de três pontos percentuais. Em uma eventual segunda rodada, o ex-prefeito marcou 43%, ante 39% do governador, novamente em situação de empate técnico. Os números sustentam a avaliação de que a disputa permanece aberta, mas não permitem concluir isoladamente que um candidato esteja consolidado como favorito.
O candidato afirmou ainda que pretende combinar as críticas com propostas para saúde, educação e segurança. Entre as iniciativas apresentadas estão o Pix Saúde, que prevê a contratação de unidades privadas e filantrópicas quando a rede pública não conseguir atender pacientes dentro do prazo; o Provão Bahia, direcionado à educação; e a Governadoria da Segurança, estrutura que colocaria o governador na coordenação direta das ações contra a criminalidade.
As propostas já aparecem em manifestações públicas e no plano de governo registrado pela candidatura, mas sua viabilidade, seus custos e seus resultados deverão ser examinados durante o debate eleitoral.
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