
Uma nova troca de mensagens identificada pela Polícia Federal adicionou outro capítulo à investigação sobre a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA), integrantes de sua família e antigos executivos do Banco Master. Segundo o material divulgado nesta sexta-feira (31), Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do parlamentar e secretário do Meio Ambiente da Bahia, teria cobrado do empresário Augusto Ferreira Lima uma previsão para pagamentos que, na avaliação dos investigadores, estariam relacionados à aquisição de um imóvel de luxo atribuído ao senador.
Eduardo Sodré permanece oficialmente à frente da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia.
O primeiro contato citado pela investigação ocorreu em 1º de setembro de 2025. “Irmão, bom dia! Tudo bem? Se puder ter alguma previsão, você me fala?”, escreveu Sodré Martins. Três dias depois, ele voltou a procurar o empresário e aumentou o tom de urgência: “Amigo, tudo bem? Preciso de sua ajuda. Amanhã vencem os boletos e são altos. Não tem como cancelar e não irei ficar devendo, concorda?”.
A PF interpreta as mensagens como uma cobrança, mas o conteúdo divulgado não apresenta, isoladamente, a identificação dos boletos ou comprovação definitiva da destinação do dinheiro.
Na resposta, Augusto Lima afirmou que tentava resolver o problema, mas descreveu como “crítica” a situação enfrentada naquele momento. O empresário sugeriu o cancelamento de uma nota e sua posterior reemissão quando houvesse disponibilidade financeira. De acordo com a investigação, Lima foi sócio de Daniel Vorcaro e manteve uma relação frequente com Wagner.
Relatórios da PF apontaram 74 ligações entre os dois, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, com duração acumulada de aproximadamente cinco horas e meia.
A apuração integra a Operação Compliance Zero, cuja nona fase foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o próprio STF, a PF investiga indícios de possível atuação parlamentar em favor de interesses do Banco Master em troca de vantagens indevidas. Mendonça também autorizou o acesso a registros de localização de aparelhos vinculados aos investigados e o monitoramento do sinal de celulares por dez dias.
Até o momento, as suspeitas não representam condenação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos ainda depende do avanço das investigações e de eventual processo judicial.
A repercussão chegou ao Senado. O partido Novo protocolou uma representação no Conselho de Ética pedindo a abertura de processo por possível quebra de decoro contra Jaques Wagner, procedimento que pode, em seu limite, resultar na perda do mandato. O colegiado, porém, ainda não foi instalado na atual legislatura.
A defesa de Wagner já declarou que ele nunca favoreceu o Banco Master, classificou as medidas da operação como baseadas em premissas equivocadas e pediu ao STF a anulação das buscas. Procurados pela reportagem que revelou as novas mensagens, Wagner e Eduardo Sodré não se manifestaram.
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