
A corrida presidencial de 2026 entra em uma fase decisiva com dois movimentos aparentemente contraditórios: de um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao período eleitoral com candidaturas ou aliados encaminhados nas 27 unidades da Federação; do outro, o bolsonarismo ainda enfrenta lacunas na formação de palanques estaduais, mas mantém uma base eleitoral resistente em torno de Flávio Bolsonaro. A vantagem organizacional de Lula é relevante porque garante presença territorial, candidatos locais pedindo votos e estruturas capazes de levar a campanha presidencial aos municípios. Isso, entretanto, não significa que a disputa esteja resolvida.
A principal força do campo bolsonarista continua sendo a fidelidade de seu eleitorado. Em entrevista à Exame, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, afirmou que os recentes desgastes de Flávio Bolsonaro tiveram impacto maior nas negociações políticas e nas alianças partidárias do que na intenção de voto. Segundo ele, a série histórica de pesquisas mostra que o senador permanece acima dos 30% e segue como o nome mais competitivo da oposição, dificultando o crescimento de uma candidatura alternativa de centro-direita. Em um cenário citado pelo especialista, Lula aparece com 42% e Flávio com 33% no primeiro turno, enquanto nomes como Ronaldo Caiado permanecem em patamar bem inferior. Outra pesquisa, do AtlasIntel/Bloomberg, apontou Lula com 49,2% e Flávio com 42,9% em uma simulação de segundo turno, confirmando vantagem para o presidente, mas também a permanência de uma oposição numericamente forte.
São Paulo tornou-se a principal fortaleza regional do bolsonarismo. Tarcísio de Freitas oficializa sua candidatura à reeleição respaldado por uma coligação de 13 partidos e pelo apoio de gestores de 614 dos 645 municípios paulistas, o equivalente a aproximadamente 95% das cidades do estado. A aliança reúne Republicanos, PL, MDB, PSD e outras legendas, oferecendo ao governador uma ampla estrutura municipal no maior colégio eleitoral do país. Pesquisa Genial/Quaest mostra Tarcísio com 55% de aprovação e 29% de desaprovação; na corrida estadual, ele aparece com vantagem sobre Fernando Haddad. O governador, porém, está abaixo dos melhores índices de sua gestão, que chegaram a 60% em agosto de 2025 e 63% em abril de 2024, sinalizando força eleitoral, mas também perda parcial do impulso que o projetou nacionalmente.
O retrato atual, portanto, é menos simples do que a ideia de que um dos lados já domina completamente a eleição. Lula tem a vantagem de uma estrutura nacional mais organizada e lidera levantamentos presidenciais recentes; Flávio Bolsonaro preserva um eleitorado fiel, mas encontra maior resistência no ambiente partidário; e Tarcísio oferece ao campo da direita uma máquina regional de grandes proporções em São Paulo.
A questão central da campanha será saber se Lula conseguirá transformar seus 27 palanques em crescimento eleitoral ou se o bolsonarismo compensará suas lacunas estaduais com a mobilização de sua base e o peso político do governo paulista.
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