
O patrimônio declarado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) chegou a R$ 24,5 milhões após um crescimento de 631% em oito anos, segundo levantamento publicado nesta terça-feira (4) pela coluna de Cláudio Humberto, no Diário do Poder. A evolução dos bens ganha ainda mais repercussão depois de o ex-governador da Bahia se tornar um dos principais alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho para investigar supostas vantagens indevidas ligadas ao grupo do Banco Master.
Entre os elementos apurados está um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões no empreendimento Poème Horto, em Salvador. Segundo a investigação, Wagner teria encaminhado ao empresário Augusto Ferreira Lima informações sobre a unidade desejada, o corretor responsável e o preço do imóvel. A compra formal teria sido realizada por uma empresa com recursos de estruturas financeiras ligadas ao grupo investigado, hipótese que levou a PF a apurar se o imóvel estaria em nome de terceiros, mas seria destinado ao núcleo familiar do senador.
A apuração também menciona um repasse de R$ 3,5 milhões para uma empresa associada à família de Wagner, viagens em aeronaves privadas e ingressos de aproximadamente R$ 63 mil para um show no exterior. Paralelamente, uma negociação envolvendo terreno do senador, avaliado em cerca de R$ 15,8 milhões, foi bloqueada por decisão do Supremo Tribunal Federal.
Wagner nega irregularidades, afirma que não trabalhou em favor do Banco Master e sustenta que a Polícia Federal terá de demonstrar alguma relação de troca entre sua atuação política e os benefícios investigados.
O caso ganhou outro componente após o ministro André Mendonça autorizar o monitoramento de dados técnicos do celular do senador diante do que classificou como “risco agudo de vazamento” da operação. A suspeita surgiu porque um investigado procurou o gabinete do ministro pouco antes das diligências, mas os documentos divulgados até agora não comprovam participação de Lula ou determinação do governo federal para proteger Wagner.
Enquanto a investigação avança, o salto patrimonial de 631%, os negócios imobiliários milionários e os benefícios apontados pela PF ampliam a pressão para que o senador explique publicamente a origem e a evolução de sua fortuna.
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