O que “empate técnico” do Big Data esconde: Lula desidratou, “grotões” desprezam candidatos petistas e ACM Neto abre vantagem em outros levantamentos

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A nova pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira (11), colocou mais combustível na disputa pelo Governo da Bahia. ACM Neto aparece com 44% das intenções de voto, contra 42% de Jerônimo Rodrigues no principal cenário estimulado. Pela margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. Em um eventual segundo turno, a diferença é ainda menor: 45% para Neto e 44% para Jerônimo.

O número que chama atenção, porém, talvez não seja apenas o empate. É o tamanho da diferença entre esse levantamento e outras pesquisas recentes sobre exatamente a mesma eleição.

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Poucos dias antes, a Futura Inteligência/Apex apresentou uma fotografia completamente diferente. No levantamento divulgado em 3 de agosto, ACM Neto alcançou 53%, contra 39,8% de Jerônimo no primeiro turno… vantagem de 13,2 pontos percentuais. Numa simulação de segundo turno, Neto marcou 54,1% e Jerônimo 41,4%.

A pesquisa ouviu mil eleitores entre 24 e 25 de julho e teve margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

Ou seja: enquanto um levantamento praticamente cola os dois principais adversários, outro abre mais de dez pontos entre eles.




E a divergência não termina aí. O Paraná Pesquisas, em levantamento divulgado em 1º de julho, registrou ACM Neto com 49,2% e Jerônimo com 37,5%, diferença de 11,7 pontos. Já a Genial/Quaest, divulgada em 29 de julho, encontrou cenário muito parecido com o Real Time: 39% para Neto e 38% para Jerônimo, dentro da margem de erro. No segundo turno da Quaest, Neto apareceu com 43% e o governador com 39%.

Em outras palavras: nas quatro pesquisas citadas, ACM Neto está numericamente na frente nos cenários estimulados comparáveis, mas sua vantagem oscila brutalmente… de apenas um ponto a mais de 13.

Isso não significa, por si só, que determinada pesquisa esteja certa e outra errada. Pesquisa eleitoral é uma fotografia estatística produzida a partir de uma amostra, e diferenças de metodologia, composição da amostra, período de coleta, forma da entrevista e ponderação podem alterar o resultado. O próprio Real Time ouviu 1.600 eleitores entre 6 e 10 de agosto, com margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%. Mas uma discrepância dessa dimensão obriga qualquer análise séria da eleição baiana a fazer algo que a manchete do “empate técnico” não faz: olhar a sequência dos levantamentos e tentar compreender onde estão os votos de cada candidato.

E é justamente aí que entra o mapa eleitoral da Bahia.

Em 2022, Lula venceu em 415 dos 417 municípios baianos, enquanto Jerônimo terminou o primeiro turno na frente em 352 cidades. Naquele pleito, Jerônimo conseguiu 49,45% dos votos no primeiro turno, contra 40,80% de ACM Neto. O peso do interior foi decisivo para construir aquela vantagem. Por isso, saber apenas que a disputa estadual está em 44% a 42%, por exemplo, revela uma parte da história.

Para compreender de fato a eleição, é fundamental saber onde Neto está crescendo, onde Jerônimo mantém sua fortaleza e como Salvador, Região Metropolitana, grandes centros, e pequenos municípios, estão distribuindo seus votos.

Sem os recortes regionais detalhados de cada pesquisa, contudo, não é possível afirmar que a diferença entre os institutos seja causada especificamente pela distribuição geográfica das entrevistas.

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Há ainda um personagem capaz de alterar completamente essa equação: Lula. O próprio Real Time Big Data divulgado nesta terça mostra o presidente com 56% das intenções de voto no primeiro turno na Bahia e 59% numa eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro. É uma vantagem enorme e confirma que Lula continua muito forte no estado.

Ao mesmo tempo, o percentual atual de intenção de voto é inferior aos 69,73% dos votos válidos que Lula efetivamente recebeu no primeiro turno de 2022. A comparação exige cautela, resultado de urna e pesquisa de intenção de voto são métricas diferentes; mas oferece um indicador estratégico importante: Jerônimo precisa observar até que ponto conseguirá repetir em 2026 a transferência de voto presidencial que foi fundamental quatro anos atrás.




O quadro, portanto, parece mais complexo do que simplesmente decretar uma eleição empatada. Neto lidera numericamente os quatro levantamentos recentes aqui comparados, mas a dimensão dessa liderança muda drasticamente de instituto para instituto.

Cronologia dos diversos levantamento:

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Sobre Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

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