
O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou nesta segunda-feira (31) a suspensão cautelar da propaganda eleitoral digital de Renan Santos (Missão) e proibiu o candidato à Presidência de participar de debates, entrevistas, sabatinas e podcasts. A decisão também interrompe repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. O motivo é a comunicação fora do prazo de perfis usados pela chapa nas redes sociais. Segundo a decisão, 16 contas teriam sido informadas ao TSE somente 12 dias depois do pedido de registro da candidatura.
A medida provocou uma reação imediata de Renan, que classificou a decisão como “absurda” e “persecutória”, trocou sua foto nas redes sociais por uma imagem com a palavra “Censurado” e anunciou que pretende recorrer. O candidato sustenta que houve um problema técnico no sistema do TSE e nega ter obtido vantagem irregular.
Toffoli, por outro lado, apontou possível quebra da isonomia entre os concorrentes, já que perfis declarados oficialmente por candidatos ficam sujeitos a restrições de recomendação algorítmica nas plataformas.
Apesar da repercussão, Renan Santos não foi declarado inelegível. A Procuradoria-Geral Eleitoral havia se manifestado favoravelmente ao registro da chapa, afirmando que estavam preenchidos os requisitos de elegibilidade e que não havia hipótese de inelegibilidade registrada. Antes da suspensão desta segunda, Toffoli já havia retirado da pauta o julgamento do registro da candidatura ao identificar “indícios de ilicitudes”. O processo, portanto, segue em aberto e pode ter impacto direto sobre a continuidade da disputa presidencial.
O episódio ganha um ingrediente político curioso porque Renan colocou justamente o poder do Judiciário e do STF entre os temas de sua campanha. Em maio, durante longa sabatina no RedCast com participação do divulgador científico Sérgio Sacani, reforma do Judiciário e STF estiveram entre os principais assuntos discutidos. Pouco mais de três meses depois, uma decisão de Toffoli coloca a própria estratégia eleitoral do candidato sob forte pressão e transforma o embate com a Justiça Eleitoral em mais um tema da corrida presidencial de 2026.
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