
O governo Jerônimo Rodrigues (PT) viu o caixa livre líquido da Bahia cair de R$ 5,3 bilhões, ao final de 2022, para R$ 900 milhões em 2025. A redução é de aproximadamente 83%, equivalente a R$ 4,4 bilhões a menos de folga financeira, calculada a partir dos valores corrigidos apresentados pela Folha de S.Paulo.
O levantamento expõe uma deterioração nas contas estaduais: além da reserva menor, o mandato pode terminar com déficit orçamentário acumulado de R$ 7,3 bilhões.
O contraste aparece dentro da própria sequência de governos do PT. Entre 2019 e 2022, no segundo mandato de Rui Costa, a Bahia acumulou superávit orçamentário de aproximadamente R$ 8,5 bilhões. Para o período de Jerônimo, entre 2023 e 2026, a projeção indica resultado negativo de R$ 7,3 bilhões. Somente para 2026, o déficit orçamentário estimado é de R$ 5,72 bilhões.
Esses valores ainda dependem do fechamento do exercício e não devem ser confundidos com dinheiro desaparecido ou dívida vencida.
A pressão sobre o caixa combina menos recursos disponíveis com mais obrigações assumidas. Em 2022, o saldo bruto era de R$ 6,6 bilhões, com R$ 1,3 bilhão comprometido com restos a pagar e outras obrigações. Em 2025, o saldo bruto caiu para R$ 3,9 bilhões, enquanto os compromissos chegaram a R$ 3 bilhões, deixando os R$ 900 milhões líquidos. Na prática, uma parcela muito maior do dinheiro em caixa já tinha destino comprometido, reduzindo a margem financeira do Executivo.
Outro ponto sensível foi a mudança da meta de déficit primário de 2025, ampliada de R$ 1,1 bilhão para R$ 4,2 bilhões.
A conselheira Carolina Matos, relatora das contas no TCE-BA, advertiu que alterar a meta ao final do exercício exige análise específica, porque ela deve orientar previamente o planejamento e a transparência fiscal. A ressalva não equivale a uma condenação automática por irresponsabilidade fiscal.
À Folha, a Fazenda atribuiu o questionamento à ausência de justificativa técnica anexada ao projeto.
A reportagem também registra aumento dos investimentos: de R$ 23,4 bilhões no mandato anterior para R$ 29,1 bilhões no atual, incluindo a estimativa de 2026. A Fazenda afirma que o endividamento é baixo e nega risco de insolvência. Dívida e gastos com pessoal seguem controlados.
Saiba mais:
Bruno Reis diz que hospitais de Salvador assumem atendimentos que seriam responsabilidade de Jerônimo Rodrigues: “75% dos bebês atendidos pela Maternidade Municipal são do interior”
Em Barra, ACM Neto contesta Jerônimo sobre policlínica e mostra terreno vazio sem obras: “Desmentido, como tem sido em toda Bahia”
TVS1 Notícias da Bahia, Salvador, Política e Esporte