
A crise do Banco Master chegou à estratégia eleitoral de Lula. Segundo reportagem do Metrópoles publicada nesta terça-feira (15), aliados do presidente defendem desvincular sua imagem da de Alexandre de Moraes para conter possíveis danos à campanha. A preocupação é impedir que a oposição transforme os questionamentos envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal em desgaste direto para o petista na disputa pelo Planalto.
O alerta ocorre em uma corrida apertada. Na pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14), Flávio Bolsonaro aparece com 42% contra 40% de Lula em eventual segundo turno, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, o petista registra 36%, e o senador, 31%. Encomendado pela Globo, o levantamento ouviu presencialmente 2.004 pessoas entre 10 e 13 de setembro, tem confiança de 95% e registro BR-03607/2026 na Justiça Eleitoral.
De acordo com o Metrópoles, a proposta dos aliados é tratar o caso como uma questão do Judiciário e sustentar a defesa da transparência, evitando que Lula assuma a defesa pessoal de Moraes. A reportagem não apresenta o movimento como rompimento. O cálculo eleitoral é reduzir a associação entre presidente e ministro enquanto Flávio explora o desgaste do Supremo em sua campanha. Moraes nega irregularidades e contesta o relatório relacionado ao caso Master.
A insatisfação com o STF, entretanto, não se converte automaticamente em votos contra Lula. Ouvido pelo Metrópoles, o diretor da Quaest, Felipe Nunes, explica que o eleitor pode reprovar a atuação do tribunal e manter sua preferência presidencial. Na avaliação dele, a polarização e as posições consolidadas dos dois candidatos limitam grandes deslocamentos. O efeito mais perceptível da crise, por enquanto, está na mobilização da direita, sem garantia de que todo esse engajamento beneficie Flávio.
Os eleitores independentes passam a ser um público decisivo para as estratégias das campanhas. Também consultado pelo Metrópoles, o professor Murilo Borsio Bataglia avalia que economia, segurança, aprovação do governo e rejeição aos candidatos continuam pesando na escolha presidencial. A leitura eleitoral exige, portanto, acompanhar se o desgaste institucional muda preferências ou apenas reforça posições existentes. Para Lula, o desafio apontado pelos aliados é conter a associação com a crise; para Flávio, transformar a mobilização em apoio além de sua base.
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