
O governo do presidente Donald Trump fez uma cobrança direta e objetiva ao Brasil nesta quarta-feira (16) e acusou a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva de não enfrentar com firmeza o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Em documento oficial encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos, Washington afirmou que as duas facções transformaram o território brasileiro em um ponto estratégico para o fluxo internacional de cocaína.
A avaliação faz parte da determinação presidencial americana sobre os principais países de trânsito ou produção de drogas para o ano fiscal de 2027.
O documento foi divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA.
Apesar da dura acusação, o Brasil não foi incluído oficialmente na relação de 23 países classificados pelos Estados Unidos como grandes produtores ou rotas relevantes de drogas ilícitas. A lista reúne nações como Colômbia, México, Peru, Bolívia, Venezuela, China, Equador e Panamá. A diferença é importante: Washington não colocou o Brasil formalmente entre os países que descumpriram compromissos internacionais de combate ao narcotráfico, mas destacou diretamente a atuação do governo Lula diante do crescimento do PCC e do CV.
A pressão aumentou porque os Estados Unidos classificaram as duas facções brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados em junho de 2026.
A decisão, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, ampliou a possibilidade de bloqueio de bens, sanções financeiras e punições contra pessoas ou instituições que prestem apoio aos grupos sob jurisdição americana.
No documento, Trump afirma que PCC e CV representam uma “ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo” e cobra medidas urgentes para impedir que as organizações ampliem sua força.
A classificação consta no Registro Federal dos Estados Unidos.
O governo Lula já havia se colocado contra o enquadramento das facções como organizações terroristas, sob o argumento de que a medida poderia abrir riscos para a soberania nacional. A nova manifestação de Trump coloca o combate ao crime organizado novamente no centro da relação entre Brasília e Washington, em plena campanha eleitoral brasileira.
De um lado, os Estados Unidos cobram uma reação mais agressiva contra PCC e CV; do outro, o Palácio do Planalto resiste à estratégia americana e terá agora de responder a uma acusação internacional que atinge diretamente sua política de segurança pública.
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