
A pressão internacional sobre o governo Lula ganhou um novo capítulo com a adesão de países latino-americanos à classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. A declaração divulgada pela aliança Escudo das Américas em 22 de setembro surpreendeu a diplomacia brasileira.
O movimento amplia o alcance político da posição do governo Donald Trump, que anunciou o enquadramento das facções em maio, com vigência a partir de 5 de junho. Portanto, a novidade é a adesão regional à medida americana, em plena reta final da eleição brasileira.
Quatro dias antes do anúncio, Lula já havia explicitado sua discordância. “Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, declarou, em 18 de setembro, durante evento de segurança pública no Rio de Janeiro. O presidente também afirmou que o governo precisa vencer o crime organizado e levou o debate para a trama golpista atribuída a Jair Bolsonaro e aliados.
A fala expõe a divergência sobre o enquadramento das facções e ganha nova relevância diante da posição assumida por outros governos da região.
A declaração internacional menciona congelamento de ativos, restrições de vistos e responsabilização de quem fornecer apoio material aos grupos. Integrantes do governo brasileiro, ouvidos sob reserva pela Folha de São Paulo, procuraram minimizar os efeitos adicionais e apontaram preocupação com eventual uso da força na região. Brasília, por sua vez, anunciou ações integradas de segurança no Rio, incluindo proteção de corredores logísticos e recuperação de territórios.
O confronto de posições coloca uma cobrança concreta no centro da discussão: quais medidas conseguem atingir o dinheiro, a estrutura e o domínio territorial das facções?
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