
O crime contra o transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), colocou Salvador e São Paulo no centro de uma disputa política e judicial.
Na capital baiana, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) denunciou que, segundo empresários, sindicalistas ligados ao PT teriam colocado adesivos eleitorais em ônibus, contribuindo para o atraso na saída de pelo menos 75 veículos.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), entretanto, determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após constatar a redução da frota e receber informações de que a retenção dos coletivos ocorreu por orientação da secretaria.
A TVS1 pergunta: quem colocou os adesivos nos ônibus, quem autorizou a operação e quem decidiu impedir a circulação dos veículos?
A controvérsia também exige esclarecimentos do presidente estadual do PT na Bahia, Tássio Brito, e do presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo.
A TVS1 defende que a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral apurem a origem da adesivação, identifiquem seus executores e verifiquem se houve participação, conhecimento prévio ou orientação de dirigentes sindicais e partidários.
O sindicato negou envolvimento na retenção dos coletivos e afirmou que as escalas e a operação dos ônibus são de responsabilidade da Prefeitura e das concessionárias. Não há, até o momento, prova apresentada de que Tássio Brito tenha ordenado a adesivação.
Caso a investigação identifique crimes e responsabilidade individual, os envolvidos deverão responder na forma da lei, inclusive com avaliação de medidas cautelares ou prisão, quando preenchidos os requisitos legais.

Em São Paulo, uma disputa semelhante ganhou repercussão nacional. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) negou a falta de ônibus e acusou aliados do presidente Lula de explorarem politicamente a situação. “Não temos falta de ônibus, a demanda está sendo atendida. É uma estratégia muito ruim que estão usando”, declarou à Folha de S.Paulo.
O PT, por outro lado, denunciou descumprimento da decisão que exigia a circulação integral da frota e pediu a prisão do secretário municipal Celso Jorge Caldeira e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. O ministro Guilherme Boulos (PSOL) anunciou que também pediria a prisão de Nunes. A Justiça Eleitoral paulista rejeitou o pedido de prisão dos dois gestores por entender que não havia elementos concretos suficientes para caracterizar flagrante delito.
Os conflitos registrados nas duas capitais, embora ocorridos no mesmo dia, não comprovam a existência de uma ação coordenada.
Diante da gravidade dos acontecimentos, a TVS1 cobra uma investigação que alcance todos os possíveis responsáveis, sem distinção de partido, cargo ou vinculação sindical.
Se ficar comprovado que houve adesivação eleitoral irregular, dano ao patrimônio, obstrução deliberada do transporte ou participação organizada de agentes políticos, os envolvidos deverão ser responsabilizados.
O mesmo rigor deve ser aplicado às autoridades que eventualmente tenham descumprido ordens judiciais e prejudicado o deslocamento dos eleitores.
A Justiça Eleitoral precisa esclarecer o papel de cada participante, ouvir as partes e garantir que ninguém seja condenado sem provas. Afinal, se houve crime, a responsabilização deve alcançar tanto quem determinou a retenção dos ônibus quanto quem eventualmente organizou uma ação eleitoral irregular.
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