
Os integrantes de 16 empresas que participam da chamada pública para realizar a demolição parcial do Centro de Convenções realizaram uma visita técnica ao local na tarde desta segunda-feira (17).
Os engenheiros e técnicos das empresas interessadas pelo desmonte, acompanhados por representantes da Supat, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil do Estado, visitaram todas as áreas consideradas seguras, como alguns pavimentos, pavilhão de feiras, além de conhecerem locais estratégicos, como a entrada de veículos pesados.
Eles também tiveram informações sobre a estrutura e receberam um termo de referência, documentação contendo a planta do imóvel, informações de projeto – como materiais utilizados e outros dados fundamentais para realização do desmonte do equipamento.
Essa é uma dos procedimentos obrigatórios para a apresentação das cotações e para a contratação emergencial. Os envelopes serão abertos nesta quarta-feira (19), a partir das 14h, na Superintendência de Patrimônio (Supat), órgão ligado à Secretaria de Administração, no Centro Administrativo (Av. Paralela).
Após a seleção da empresa, a demolição da estrutura terá a orientação de um consultor, contratado pelo governo, para que a remoção seja realizada pelo local mais seguro.

A retirada dos escombros pretende ser em duas etapas: a primeira dará acesso à perícia, orientada pelos bombeiros e Polícia Técnica, para fornecer informações que permitam determinar as causas do acidente. A segunda será a retirada dos materiais e das estruturas comprometidas no desabamento.
Demolição pode custar caro e ser de alto risco
Um por vez, os responsáveis pelas 16 empresas saíam ontem à tarde pelo portão 3 do Centro de Convenções da Bahia (CCB). Depois de 25 dias do desmoronamento dos dois pavimentos do prédio que foram praticamente ao chão, a visita técnica, foi o primeiro passo para definir com quem ficará a responsabilidade de “limpar” a área de 9 mil metros quadrados que entrou em colapso na noite do dia 23 de setembro, deixando três pessoas feridas.
A empresa que ganhar a licitação vai desfazer as estruturas metálicas e demolir as de concreto. Uma operação cara, complicada e “de altíssimo risco”, conforme consideram os engenheiros e diretores das próprias construtoras. “Antes de tudo, será preciso elaborar um mapa de segurança. Somente depois um plano de desmontagem. É um trabalho de altíssimo risco”, adianta Mário César Policarpo, diretor da JO.X Montagem e Desmontagem, empresa paulista com 20 anos de mercado.
“Bastante complicado. Uma estrutura diferente, suspensa. Vai ser necessário muita técnica”, destaca Edson Magalhães, representante da construtora Magalhães Júnior. Os custos do desmonte, por motivos óbvios, não foram estimados. Mas… “Não é barato, não. É caro”, informa.
“É mesmo uma operação muito difícil. Será necessário cuidado com a segurança e maquinário pesado”, reforça o engenheiro civil Carlos Emílio Strauch, autor do projeto estrutural do CCB, e que acompanhou a vistoria de ontem junto com representantes da Superintendência de Patrimônio do Estado (Supat), Corpo de Bombeiros e Defesa Civil do Estado.
A imprensa não pôde acompanhar a visita. Em nota, a Secretaria de Comunicação (Secom) disse que os engenheiros e técnicos das empresas visitaram as áreas consideradas seguras e conheceram locais estratégicos, como a entrada de veículos pesados. Eles obtiveram ainda detalhes sobre a estrutura e, ao final da visita, receberam um termo de referência e documentação com a planta do imóvel e informações de projeto.
As 16 empresas têm até quarta-feira para apresentar suas propostas, no prédio da Governadoria, no CAB. A abertura da licitação foi publicada sexta-feira no Diário Oficial do Estado. “Agora, uma comissão vai julgar os projetos e cotações. Uma empresa será escolhida para fazer o serviço”, explica Strauch.
Conforme o governo, a intervenção de retirada dos escombros será realizada em duas etapas: a primeira dará acesso à perícia, orientada pelo Corpo de Bombeiros e Polícia Técnica para fornecer informações que permitam determinar as causas do acidente.
A segunda delas é a remoção dos materiais e das estruturas que foram comprometidas. “Para fazer essa perícia é absolutamente necessária uma intervenção prévia, controlada, de retirada de elementos que possam causar riscos para os trabalhadores e técnicos”, disse o secretário da Casa Civil do Estado, Bruno Dauster.
A licitação em caráter emergencial prevê a contratação para o desmonte e demolição apenas parcial da estrutura. Somente a estrutura de concreto e metal que ruiu, e que estariam em uma área de 9 mil m², deverá ser retirada do local. Ficarão de pé o 3º e 4º andares do pavilhão principal, além de todo o pavilhão de feiras, prédio logo ao lado.
O desmonte e demolição do restante da estrutura deve ocorrer após outro processo licitatório ainda sem prazo determinado, o que foi criticado por uma das empresas que vão participar dessa primeira disputa. “O correto seria desmontar tudo de uma vez. Pela experiência que tenho, acho complicado dividir esse trabalho. É correr outro risco”, discordou o representante de uma das empresas.
O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) considerou precipitada decisão de desmontar e demolir todo o CCB. O Crea abriu um processo administrativo e formou uma comissão para estudar o caso. O fato do governo ter tomado a decisão de desmontar o CCB sem uma análise apurada é apenas uma das perguntas sem resposta. Também não se sabe, por exemplo, qual destinação terá o local, onde será o próximo centro e quanto vai custar todo esse prejuízo.
O departamento baiano do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) vê com “estranheza” a decisão do governo de “desmanchar” o CCB
“A decisão de desmonte das estruturas do equipamento público nos parece precipitada e pode custar muito caro à sociedade baiana”, informa o instituto, que estima a operação em R$ 110 milhões. E afirma ainda que o equipamento não teria recebido a devida manutenção nos últimos anos, “o que gerou prejuízos ao seu funcionamento” e encurtou a vida útil do Centro de Convenções.
Foto: Almiro Lopes e Marina Silva/CORREIO
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