
A novela sobre o Centro de Convenções em Salvador deve ter chegado ao fim com a novidade do anúncio do investimento feito pelo prefeito ACM Neto na manhã desta segunda-feira (23),com a construção de um Centro de Convenções Municipal na área do antigo Aeroclube. O empreendimento faz parte de um pacote de investimentos na orla da cidade, do Programa Salvador 360º. Conforme expectativa da gestão municipal, o novo equipamento começa a funcionar no início de 2019.
Nos detalhes do projeto apresentado na presença de autoridades, secretários, políticos, entre eles, deputados estaduais e federais, além de vereadores nesta segunda, o novo Centro de Convenções terá área de 100 mil metros quadrados, com capacidade para receber 14 mil pessoas, simultaneamente, em congressos e convenções. O projeto apresenta ainda oito auditórios de mil metros quadrados e ainda 16 salões de 400 metros quadrados cada. O centro municipal terá também 30 salas de reuniões que podem virar camarotes para apresentações musicais, além de uma praça de exposições de 2,5 mil metros quadrados e dois foyers de mil metros quadrados cada.

Por descaso e impasse do governo do Estado, Salvador estava sem Centro de Convenções desde 2016 em que o equipamento localizado no bairro do Stiep, foi interditado. O governo do estado possui um projeto para que outro Centro seja construído na área do Parque de Exposições, mas até o momento não saiu do papel. A prefeitura saiu na frente após o prefeito ACM Neto anunciar o investimento na construção de um Centro de Convenções Municipal na mesma área onde abrigou o Aeroclube.

“Eu comecei a dar a pista do que a Prefeitura estava preparando para este grande anúncio para a cidade do Salvador. Depois que nós iniciamos este segundo mandato, eu abri a discussão com algumas pessoas sobre os projetos estratégicos para a nossa cidade. E eu confesso que eu sempre tive uma postura interna com a minha equipe de ser bastante contestador em relação a possibilidade da construção do Centro de Convenções. Eu tinha que agir dessa forma, porque nós só assumiriamos um desafio deste tamanho se, de fato, tivéssemos as condições de entregar isso para a nossa cidade. Nós, com muita sinceridade, passamos algum tempo analisando se a prefeitura teria, de fato, condições de assumir esse desafio de construir um Centro de Convenções na nossa cidade. Eu me recordo que no dia 23 de setembro de 2016, data em que está muito viva na nossa memória, porque foi exatamente o dia do incidente no Centro de Convenções da Bahia, que acabou, inclusive, inviabilizando qualquer possibilidade de aproveitamento daquele equipamento. No dia 23 de setembro, eu fui muito provocado por aliados políticos, e até, por minha equipe de comunicação e nós estávamos há pouquíssimos dias da eleição. Minha equipe de comunicação, os marqueteiros queriam que eu aproveitasse aquele momento pra anunciar que, se reeleito fosse, eu iria construir um Centro de Convenções para a nossa cidade. Com toda responsabilidade eu disse: eu não vou fazer isso. Primeiro, porque nós não queremos, de maneira alguma, que pareça um oportunismo da nossa parte, e segundo, porque não estou seguro de que a Prefeitura tem reais condições de construir um Centro de Convenções a altura das necessidades da nossa capital. Essa foi a minha reflexão naquela data de 23 de setembro de 2016, faltando praticamente uma semana antes da eleição”, lembra o prefeito.
O prefeito destacou o papel preponderante do secretário de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), Guilherme Bellintani, na construção do processo de investimento de um novo trade de eventos e convenções na cidade. “Não posso deixar de fazer um registro de que o secretário de Desenvolvimento e Urbanismo, Guilherme Bellintani, algumas vezes, tentou abriu o assunto dentro desse comitê que nós temos em que participam alguns secretários, e eu dizia: ainda não dá, ainda não dá. Até que um belo dia, ele me apresenta uma proposta que, na mesma hora, me fez brilhar os olhos, porque ali finalmente nós estávamos diante de um equipamento que atenderia a todas as necessidades de Salvador”, elogia.
Apesar de evitar o enfrentamento político-partidário sobre o Centro de Convenções, o prefeito se ateve em analisar e criticar as decisões de gestão do governo do Estado sobre o equipamento.

“Estamos indo para o quinto ano do nosso mandato e comigo não tem essa coisa de ficar procurando culpados e nem desculpas, pelo contrário, eu procuro ser muito objetivo nas minhas decisões: pode, pode, não pode, não pode. Eu só me comprometo com o que, de fato, eu tenho a capacidade de realizar. Infelizmente, Salvador viveu essa novela que foi os últimos anos a falta de um Centro de Convenções e com decisões totalmente erráticas por parte do governo do Estado. Aqui, eu não vou utilizar esse momento para fazer enfrentamento político-partidário, mas eu não posso deixar de registrar que esse tipo de gestão não é o tipo de gestão que era esperada pela cidade diante de um problema tão importante pra ela e que ficou sem solução. Um dia era reconstruir o Centro de Convenções onde existia o antigo, depois era levar o Centro de Convenções para o Comércio. Aí quando eu vi a notícia de que o Centro de Convenções ia ser no Parque de Exposições eu disse: aí não dá, porque eu sei que não vai sair. A gente procurava enxergar se o governo do Estado tinha preparado uma equação econômica e estruturada para, de fato, realizar a obra, e nada. Aí depois, o governo vai e lança uma proposta de estudos. Eu pensei: com a gente é diferente: nós vamos estruturar o projeto, daqui a pouco, Guilherme vai dar os detalhes do projeto”, descreve.
“Eu garanto a vocês que no começo de 2019, Salvador já terá o seu Centro de Convenções funcionando”, prometeu Neto.
Um dos principais responsáveis pelo projeto, o secretário Guilherme Bellintani explicou que o novo Centro de Convenções Municipal integra o Programa Salvador 360 nos investimentos e desenvolvimento do turismo de eventos e de negócios na cidade.

“O projeto integra o programa Salvador 360. O nosso desejo original é que fosse a ação de número 360, mas como ficou estruturado e pronto antes, a gente antecipou essa apresentação. É uma ação e um equipamento que passa praticamente por todos os eixos do programa e não está alocado em nenhum eixo especificamente”, explica.
O secretário apresentou também características sobre a construção do novo equipamento. “Um Centro de Convenções que ocupa toda a área do antigo Aeroclube e preserva toda a ala lateral do Parque dos Ventos. Ele é metade desse terreno e ocupa integralmente o terreno onde estava originalmente instalado o Shopping Aeroclube. Toda a parte da ala dos ventos fica preservada. Ele tem um formato em dois pavimentos com uma frente para o mar e uma frente para a avenida”, apresenta.
Bellintani fez um diagnóstico sobre os números do turismo de eventos equipamento de negócios no país, que conforme o secretário, justifica Salvador ter um novo equipamento para voltar a desenvolver estas atividades que contribuem para a economia da cidade. “A gente tem a importância do turismo de eventos com mais de 7,5 milhões de empregos gerados no Brasil em 2013 com R$ 48 bilhões de recursos gerados com 14% de crescimento anual com mais de R$ 209 de receita gerada em 2013 e mais de 590 mil eventos realizados no Brasil. Por região, a gente tem uma participação do nordeste que vem crescendo em parte pelos investimentos feitos em cidade como Recife e Fortaleza no turismo de convenções, mas decrescendo em parte em Salvador que tem números que vêm de um retrocesso no turismo de eventos. Na cidade turística estrangeira de negócios, Salvador representa 4,3% apesar de ter uma localização geográfica privilegiada. A capital baiana perde para cidades como Foz do Iguaçu, Belém e Manaus em relação a turismo de negócios. O que a gente precisa é de mais investimento em Salvador”, analisa Bellintani.
Mathias Jaimes e Rafael Santana
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