Pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto esteve na Travessa Ubatã, em Narandiba, na região da Avenida Edgar Santos, em Salvador, e mostrou em vídeo um cenário de abandono, casas vazias, paredes marcadas por tiros e pichações atribuídas a facções criminosas.
No registro publicado nas redes sociais, Neto afirmou que a área virou “um cenário de guerra” e cobrou diretamente o governador Jerônimo Rodrigues: “Certamente o governador Jerônimo Rodrigues nunca desceu aqui na Travessa Ubatã, nunca veio aqui na Narandiba, para com os próprios olhos dele, testemunhar o que se tornou essa área”.
Em março de 2024, ao menos 30 famílias expulsas de casas em Narandiba por traficantes ligados ao Comando Vermelho.
“Aqui a facção domina, comanda. Há pouco tempo, em todas essas casas moravam várias famílias. Nós tínhamos aqui crianças, idosos, muitas pessoas que construíram a sua história de vida”.
As imagens e declarações de ACM Neto ganham peso porque a Bahia segue no topo da crise nacional de segurança pública. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 registrou 44.127 mortes violentas intencionais no Brasil em 2024, e dados citados a partir do levantamento apontam a Bahia com a segunda maior taxa do país, 40,6 mortes violentas por 100 mil habitantes, atrás apenas do Amapá. Já o Atlas da Violência mais recente apontou a Bahia entre os estados com maiores taxas oficiais de homicídios.
Enquanto moradores pobres deixam para trás casa, história, colchão, mochila e vida inteira por medo das facções, a imagem da Travessa Ubatã escancara uma pergunta que Salvador já não consegue mais evitar: quem está mandando nos bairros, o Estado ou o crime?
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