
O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM), os deputados Rodrigo Pacheco e Rodrigo Rocha Loures, ambos do PMDB, um de Minas Gerais e outro do Paraná, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, surgiram como alguns dos principais personagens emblemáticos no cenário político e da justiça no Brasil. Os quatro Rodrigos têm sido protagonistas de fatos no âmbito político e jurídico que têm repercutido no país.
Os quatro Rodrigos têm ganhado fama por protagonizarem fatos políticos e jurídicos decisivos de grande repercussão diante da crise ética, moral e política que se instalou no país com denúncias e investigações de corrupção em torno da Operação Lava Jato e nos outros processos que correm contra políticos e autoridades envolvidos em escândalos.
O primeiro Rodrigo é o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Primeiro na linha sucessória para a Presidência da República, Maia se mantém na posição de aliado do governo à frente da Casa e substituto automático de Michel Temer, caso Temer seja afastado.
Maia presidiu na quarta-feira, dia 2 de agosto, a sessão de votação que decidiu pelo arquivamento da primeira denúncia por crime comum feita ao presidente Michel Temer em exercício no Brasil, pelo escândalo da JBS. Aprovada por menos de 2/3 dos deputados (342), a denúncia foi arquivada. Neste caso, Temer não será afastado da presidência até os deputados não apreciaram a próxima denúncia encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
O Congresso volta do recesso após semanas de especulação de que Maia teve conversas para compor um eventual governo. O clima de desconfiança levou aliados a marcar um jantar entre Temer e Maia para acalmar os ânimos.
Um dos frutos da discórdia foi a tensão entre Maia e o presidente Temer na disputa por dez deputados que queriam sair do PSB. Temer reagiu ao movimento do grupo de migrar para o DEM de Rodrigo Maia, que tem se fortalecido, e buscou atraí-los para o PMDB, mas depois voltou atrás.
Diante do debate sobre um eventual governo de Rodrigo Maia, aliados do deputado ressaltam sua “fidelidade” ao presidente Temer.
Maia afirmou em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, da GloboNews, que seu papel é “presidir a Câmara” e que não haverá, de sua parte, “nenhum movimento para prejudicar o presidente”.
Maia tem ressaltado, entretanto, que sua posição como presidente da Câmara é de árbitro do jogo, e não de deputado aliado – motivo pelo qual busca estabelecer uma distância do governo.
O deputado é classificado por aliados como tímido, fechado, sério, bom ouvinte, fiel aos compromissos que assume, conciliador.
Desde que assumiu a presidência da Câmara, teve papel decisivo na aprovação de projetos estratégicos para a gestão Temer, como o teto de gastos do setor público, a terceirização e reforma trabalhista, além da reforma da previdência.
Em um dos momentos polêmicos de sua gestão, a Câmara impôs profundas mudanças às propostas contra corrupção apresentadas pelo Ministério Público Federal e avalizadas por dois milhões de eleitores. Das dez medidas originais, quatro foram mantidas, e com alterações.
O deputado tem conhecidas posturas conservadoras. É contra o casamento homoafetivo e o aborto. Na economia, defende políticas liberais e a agenda do mercado, mantendo a pauta de reformas como prioridade de sua gestão.
“Hoje o Rodrigo é o ‘senhor das reformas’. As reformas são depositadas em suas mãos porque, sem ele, não vai sair nada”, disse o deputado José Carlos Aleluia.
O segundo Rodrigo é o deputado Rodrigo Pacheco, do PMDB, que é presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, colegiado que analisou a denúncia por corrupção contra Michel Temer (PMDB). A época da apreciação e análise da denúncia contra Temer, Pacheco declarou que conduzia o processo com independência e que acusação precisa ser provada.
Em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados, o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), 40 anos, é presidente da mais importante comissão da Casa: a de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado de 66 deputados pelo qual passam, necessariamente, todos os projetos legislativos. Advogado, Pacheco foi também o responsável por conduzir, na CCJ, a apreciação da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção. Embora classifique o momento como “triste” e “constrangedor” para o país, o peemedebista mineiro se declara independente do Palácio do Planalto e indicou para relator da denúncia o deputado Sergio Zveiter, também do PMDB e igualmente insubordinado ao governo Temer. “Um presidente denunciado é triste para a nação”, declarou Pacheco à época.
Rodrigo Pacheco garante que não abriu mão da autonomia “nem se oferecessem dez ministérios para Minas Gerais”, critica as delações “premiadíssimas” da JBS e defende as reformas trabalhista, previdenciária e política.
O terceiro Rodrigo é o deputado Rodrigo Rocha Loures, também do PMDB, que foi assessor do presidente Michel Temer, mais conhecido como ‘o homem da mala de Temer’, e conhecido pelos íntimos como ‘Rodriguinho’, que foi flagrado em vídeo, transportando uma mala com R$ 500 mil em dinheiro da JBS em um táxi após sair de uma pizzaria em São Paulo.
O último ano havia sido bom para Rodrigo Rocha Loures. Com a ascensão de Michel Temer à Presidência, o aliado ganhou, em setembro passado, uma sala no mesmo andar do presidente, atuando como assessor especial de Temer. Poucos meses depois, Rocha Loures voltou à Câmara dos Deputados, assumindo, por ser suplente, a vaga de Osmar Serraglio quando este foi nomeado para o Ministério da Justiça.
Com o retorno de Serraglio à sua cadeira na Câmara, na quinta-feira, Rocha Loures perdeu o foro privilegiado que tinha como deputado, aumentando a expectativa de que venha a se tornar um “homem-bomba” para o governo Temer. O apelido se espalhou em Brasília devido ao potencial explosivo de uma eventual delação premiada – que poderia desvelar as negociações por trás da mala de R$ 500 mil que Rocha Loures recebeu da JBS, e qual seria o destino final da propina.
Delatores da empresa afirmaram que os recursos seriam destinados ao presidente. Temer ganha fôlego com permanência de PSDB, DEM e PPS na base aliada. A Procuradoria-Geral da República reiterou o pedido de prisão de Rocha Loures ao STF.
A perda da imunidade parlamentar e sua situação familiar – e a gravidez da companheira, que já soma 8 meses, alimentam a expectativa de que o ex-assessor de Temer venha a falar. Loures foi recebido com protesto no aeroporto de Garulhos: “ladrão!”
O que era céu virou inferno na vida de Loures na noite em que o escândalo das delações da JBS explodiu no Brasil. Rocha Loures estava longe, em Nova York. Na véspera, vestira smoking para prestigiar João Doria, no jantar de gala em que o prefeito de São Paulo recebeu o prêmio de Personalidade do Ano pela Câmara do Comércio Brasil-EUA. Na volta da viagem, em que aconselhou potenciais investidores americanos sobre as reformas no Congresso, Rocha Loures desembarcou em Guarulhos sob gritos de “ladrão”, já afastado da Câmara por decisão do Supremo Tribunal Federal.
O considerado “homem-bomba” está muito distante do apelido de vida toda, o de Rodriguinho – filho de “Rodrigão”, o conhecido empresário paranaense Rodrigo Costa da Rocha Loures, fundador da Nutrimental e presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade, na Fiesp. Temer diz que gravação foi manipulada e que delatores ‘quebraram o Brasil e ficaram ricos’. A empresa, que teve faturamento de R$ 400 milhões em 2014, é pioneira das barrinhas de cereais no Brasil, que começou a desenvolver ao ser procurada por Amyr Klink nos anos 1980. O ilustre navegador buscava opções de alimentação saudável para abastecer suas longas travessias marítimas.
Hoje, é mais conhecida pela marca que nasceu dessa história, a Nutry, que Rodrigo, o filho, ajudou a desenvolver nos anos que passou à frente da empresa, antes de enveredar pela política.
Quem acompanhou a trajetória do político e administrador de empresas nascido em 1966 entre os Rocha Loures – uma tradicional família do Paraná – diz que foi um “choque”, uma “surpresa”, ver e rever as imagens do ex-deputado saindo da pizzaria Camelo, em São Paulo, com a mala de R$ 500 mil. Semanas antes disso, Rocha Loures fora indicado pelo presidente Michel Temer ao empresário Joesley Batista – quanto este lhe perguntou quem poderia lhe ajudar a resolver um problema da empresa.
Arruda, sobrinho do senador Roberto Requião (PMDB), conviveu com Rocha Loures quando ele iniciava sua trajetória política, em 2002. Na época, o ex-assessor de Temer participou ativamente da campanha de Requião ao governo do Paraná. Com sua vitória, tornou-se chefe de gabinete do então governador em 2003 e lá permaneceu até 2005.
Quando o escândalo veio à tona, Requião falou no Twitter sobre a decepção com o antigo protegido. O senador apoiara a primeira candidatura de Rocha Loures, ajudando-o a obter o cargo de deputado federal, que assumiu em 2007. “Rodrigo Rocha Loures, idealista, meu amigo. O que fizeram de você, Rodrigo Rocha Loures? Vejo tudo com indignação e muita tristeza. CANALHAS!”, escreveu o senador.
A decepção foi expressa também por estudantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Foi lá que Rocha Loures se formou, em 1988, em administração de empresas; e presidiu o diretório acadêmico do curso (DAGV) durante um ano. Agora, a atual gestão do diretório publicou uma carta declarando-o persona non grata.
“Mais novo, era como qualquer aluno da Fundação. Hoje tornou-se um criminoso nacionalmente conhecido”, diz a carta. “A grande pergunta é: o que separa o nosso futuro, hoje alunos e alunas, do que foi o futuro para Rodrigo Rocha Loures, aluno ontem?”.
O DAGV afirma que “apenas a moral” poderia impedir os estudantes de hoje a se tornarem também “um criminoso.” “Rodrigo fez uma opção. Pelo poder se corrompeu, ou por ele mostrou o que realmente era. Em tempos de crise e fora dela, tomaremos decisões que influenciarão o nosso futuro e o futuro de outros. Que nenhuma delas seja como as de Rodrigo Rocha Loures”, declarou o DAGV.
Após obter o diploma da faculdade de administração, em 1988, voltou ao Paraná e assumiu a empresa do pai em São José dos Pinhais, ficando na direção da empresa até 2002, período marcado pela expansão de produtos da marca Nutry. No primeiro mandato na Câmara dos Deputados, entre 2007 a 2010, teve atuação nas áreas ambiental, de energias renováveis e de educação, entre outras.
Habilidoso em articulações políticas, tornou-se vice-líder do PMDB na Câmara. Foi nesta época que começou a se aproximar de Michel Temer, então presidente da casa. Quando Temer foi eleito vice-presidente na chapa com Dilma Rousseff, Rocha Loures foi chamado para trabalhar como chefe de Relações Institucionais da Vicepresidência, em 2011.
Contou, entretanto, com apoio de peso. Dos R$ 3 milhões que arrecadou para a campanha, R$ 200 mil foram doados pelo então vice-presidente, Michel Temer; e R$ 50 mil pelo prefeito de São Paulo João Doria, de acordo com registros do TSE. Temer chegou a gravar um depoimento em vídeo para a campanha de Rocha Loures, elogiando sua atuação como deputado federal e afirmando que, em seu gabinete, ele o “ajudou enormemente”.
“É com muito gosto que eu cumprimento os paranaenses e dou este depoimento verdadeiro, real, em relação a esta belíssima figura da vida pública brasileira, que é o Rodrigo Rocha Loures”, conclui Temer no vídeo de campanha, de 2014.
Apesar da proximidade do presidente, Rocha Loures é descrito como um aliado conhecido mais pela fidelidade do que pela influência nos bastidores. “Ele acompanhou a ascensão do presidente Michel Temer, fazia parte do grupo de pessoas que acompanhavam o presidente já há algum tempo, mas nunca foi cotado para ser ministro pelo PMDB, nunca teve espaços importantes. Nunca imaginamos que tivesse grande influência nas decisões do presidente e sua equipe. O que aconteceu foi chocante para todos do Paraná, porque imaginavam que ele não tinha esse perfil.
Outro político que trabalhou com Rocha Loures no Paraná e conviveu com ele “socialmente”, mas prefere não se identificar, diz que Rocha Loures foi ganhando espaço à medida que outros articuladores de peso foram derrubados pelas investigações da Lava Jato, como o ex-assessor José Yunes e o ex-ministro do Planejamento Romero Jucá.
Loures andava por ministérios e pelo Congresso falando em nome do presidente, mas nunca teve atuação muito expressiva. Ele não um grande quadro do PMDB. Era uma pessoa meio ‘inocente’. Queria estar sempre perto das pessoas certas, sempre aparecer nas imagens. Ele é considerado um deslumbrado. Vendia uma coisa que não entregava, um prestígio que não tinha e o flagrante da mala foi uma absurda surpresa.
Agora com o escândalo enfrentado por Rocha Loures, a reação em Curitiba é de “silêncio”, diferente da reação “de ódio” que, acredita, seria vista se a acusação fosse contra o PT.
O quarto e último Rodrigo é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que através de uma espécie de um consórcio MPF/juíz Sérgio Moro/Polícia Federal, tem atacado e desmoronado o sistema político estabelecido.
O procurador atua na Operação Lava-Jato para atacar destruir os políticos envolvidos em escandalos e processos de corrupção que através da atuação da justiça, podem ser destruidos por um tsunami chamado Lava Jato.
Há quem comemore os pedidos de prisão feitos por Janot na tentativa de atacar os políticos e de coibir a corrupção no meio político. Vivemos o colapso da política.
Vivemos, formalmente, sob Democracia, mas a Democracia está sequestrada pelo poder e as afrontas, ameaças e ataques jurídicos-midiáticos em que os políticos se veem tragados por turbilhão, na medida em o poder judiciário se consolida.
Janot não é daqueles que caem no risco do país construir um discurso moralista do “partido da Lava-Jato”, mas defende uma passada de vassouras para retirar os “sujos”, os “mal-lavados”, além e toda a sujeira de toda a lama que estes deixaram no país e tudo se resolveria com os “escolhidos”, os “limpos”. As ações de Janot fazem parte da agenda do Brasil no combate à corrupção e a roubalheira na defesa da ética, da moral e de um projeto de desenvolvimento no país.
A agenda de Janot põe em risco a vida dos políticos que pode levar ao desmoronamento da política, principalmente, de políticos profissionais, desesperados, acossados pelas denúncias e apodrecidos por seus próprios erros. Eles podem se acertar em suas tentativas de negociatas, articulações e arranjos políticos que podem significar a sobrevivência deles.
Os quatro Rodrigos, entronizados na vida nacional, são figuras exponenciais e homens fortes no meio político e jurídico que ganharam notoriedade nos últimos tempos. Uns tem protagonizado decisões e outros tem sido alvo de escândalos que tem levado a desgraça política para surpresa do mundo político, o que gera uma evidente decadência política, social e econômica no país. Pode-se dizer que diante deste cenário que se apresenta, o Brasil está, de fato, nas mãos dos Rodrigos ou os Rodrigos tem deixado o país na mão?
Rafael Santana
Jornalista dos Sites TV Servidor e Axé Notícias
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