
A morte do soldado Maurício Dantas dos Santos, baleado durante uma abordagem na zona rural de Ilhéus, não representa um caso isolado. PM Dantas é o oitavo policial morto em episódios criminosos na Bahia em 2026, segundo levantamento divulgado pela imprensa e cruzado pelo TVS1 com os casos registrados ao longo do ano.
Antes dele, perderam a vida o soldado Eduardo César do Nascimento Filho, o capitão Osniésio Pereira Salomão, o cabo Glauber Rosa Santos, o sargento Vagner Carneiro Firmo, o policial civil aposentado Antenor dos Santos Evangelista, o investigador Adailton Oliveira Rocha e o soldado Samuel Novais da Silva. Foram policiais atingidos durante perseguições, cumprimento de mandados, abordagens, confrontos com integrantes de facções ou reações a assaltos.
Oito famílias destruídas e uma tropa enviada diariamente às ruas para enfrentar criminosos cada vez mais armados, organizados e dispostos a atacar o próprio Estado. O número de mortes de policiais em 2026 já supera as três registradas durante todo o ano de 2025.
Os números gerais reforçam a gravidade do quadro. O mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que a Bahia registrou 5.473 mortes violentas intencionais em 2025, com taxa de 36,8 vítimas para cada 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional de 19,1 e a segunda maior entre os estados. Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro colocaram a Bahia com cinco das dez cidades mais violentas do país, enquanto as intervenções policiais terminaram com 1.570 mortes no mesmo período, retrato de um estado submetido a confrontos permanentes.
O governo afirma que houve redução de 9,5% nas mortes violentas em 2025 e queda de 23% no primeiro quadrimestre de 2026, mas a melhora estatística não apaga a dimensão da tragédia.
Quando policiais são mortos, facções disputam bairros e cinco cidades continuam no topo nacional da violência, não basta anunciar operações ou comemorar percentuais: o cenário mostra que Jerônimo Rodrigues abandonou a segurança pública como prioridade concreta e ainda não entregou uma resposta proporcional ao medo vivido pela população baiana.
Os oito policiais mortos na Bahia em 2026
- Soldado Eduardo César do Nascimento Filho
Foi baleado durante uma perseguição a ocupantes de um veículo roubado em Santaluz, em janeiro. Chegou a ser socorrido, mas morreu em decorrência dos ferimentos. - Capitão Osniésio Pereira Salomão, 37 anos
Foi morto em 15 de janeiro, na Avenida Contorno, em Salvador, após reagir a uma tentativa de assalto quando estava fora de serviço. - Cabo Glauber Rosa Santos, 42 anos
Morreu depois de ser atingido na cabeça durante uma ocorrência no Vale das Pedrinhas, região do Nordeste de Amaralina, em Salvador, no dia 3 de fevereiro. A morte desencadeou uma grande operação policial na região. - Sargento Vagner Carneiro Firmo
Foi assassinado em 7 de março, em Santaluz, ao tentar impedir um assalto na propriedade rural do sogro. O policial estava fora de serviço e teria sido atingido pelas costas. - Policial civil aposentado Antenor dos Santos Evangelista, 72 anos
Foi morto durante uma ação criminosa em Santo Estêvão, no dia 13 de março. Dois suspeitos de envolvimento no crime morreram posteriormente em confrontos com as forças de segurança. - Investigador Adailton Oliveira Rocha, 55 anos
Foi baleado na cabeça em 15 de abril, no bairro de Tancredo Neves, em Salvador, durante o cumprimento de uma ordem judicial. - Soldado Samuel Novais da Silva
Morreu também em 15 de abril, durante um confronto com integrantes de uma organização criminosa na região de Manguinhos, no Engenho Velho de Brotas, em Salvador. - Soldado Maurício Dantas dos Santos
Integrante da Rondesp Sul, foi baleado na região das costelas durante uma abordagem a dois homens em uma motocicleta, na zona rural de Ilhéus, na noite de 26 de julho. Foi levado ao Hospital Regional Costa do Cacau, sofreu três paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.
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