
“Reparação, retratação, igualdade racial e equidade precisam ser premissas de um Estado comprometido com seu povo”. A afirmação está na carta manifesto redigida pela Frente em Defesa do Estatuto da Igualdade Racial de Salvador, e assinada, na manhã desta terça-feira (7), por 56 entidades que participaram da audiência pública que debateu o Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa, no Centro de Cultura da Câmara Municipal.
O presidente da Comissão da Reparação e Combate à Intolerância Religiosa, vereador Moisés Rocha (PT), afirmou que este é o nono debate aberto ao público sobre o Projeto de Lei nº 549/2013. “Este é o espaço para aqueles que divergem dos termos da lei se manifestarem. É preciso entender que o estatuto é lei complementar para garantir que a constituição seja cumprida. Não dá para tratar como iguais os desiguais”, afirmou o presidente do colegiado.
Foram apresentadas 16 emendas ao Estatuto. O presidente do colegiado questiona as que pedem a retirada do termo “Religião de Matriz Africana” do texto. “Até 1970, os terreiros precisavam pedir autorização para a Delegacia de Jogos e Costumes para realizar seus rituais sob o risco de terem todo material apreendido”, exemplificou Moisés Rocha.
“O racismo tem como primeira característica retirar a humanidade das pessoas. Isso vale para nossa religiosidade”, opinou o relator do projeto, vereador Sílvio Humberto (PSB) sobre as emendas. “No dia 13 de maio completa-se 130 da abolição da escravatura. O reflexo da falta de políticas públicas pós escravidão refletem até hoje na qualidade de vida da população negra, com péssimos indicadores que refletem essa desigualdade”, completou Sílvio Humberto.
Bahia Notícias Salvador Política Futebol Portal de Notícias TVS1