
Durante anos, a Bahia manteve-se relativamente à margem da guerra entre grandes facções criminosas que dominavam o eixo Rio-São Paulo. No entanto, esse cenário começou a mudar entre 2007 e 2014. Foi nesse período que o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções do Brasil, consolidou sua presença em território baiano.
A expansão coincidiu com os dois mandatos de Jaques Wagner (PT) no governo do estado, e abriu espaço para uma das fases mais violentas da segurança pública baiana.
A entrada da facção carioca em cidades estratégicas como Salvador e Feira de Santana alterou o equilíbrio entre grupos locais e despertou a atenção do grupo rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC), iniciando uma disputa sangrenta por território no estado.
Geopolítica do crime na Bahia antes de 2007 – Antes da entrada das grandes facções, o cenário do crime na Bahia era dominado por grupos menores e organizações locais que controlavam o tráfico de forma fragmentada. O estado ainda não fazia parte do mapa estratégico do CV ou do PCC. Isso começou a mudar com a intensificação da repressão policial no Sudeste, que empurrou criminosos para outras regiões do país, especialmente o Norte e o Nordeste.
Expansão do Comando Vermelho no nordeste – Segundo especialistas e relatórios de segurança, a facção Comando Vermelho começou a estabelecer suas bases na Bahia por volta de 2007, expandindo a partir do Rio de Janeiro com o apoio de lideranças transferidas para presídios nordestinos. Salvador, Feira de Santana e regiões do Recôncavo Baiano passaram a registrar ações ligadas à facção, que usava jovens de bairros periféricos para consolidar o tráfico de drogas e armas.
Além da geografia favorável para o escoamento de entorpecentes via portos e rodovias, a Bahia oferecia algo ainda mais vantajoso: uma rede policial fragilizada e pouco estruturada para enfrentar o crime organizado de grande escala.
A Gestão de Jaques Wagner e o enfraquecimento do Sistema de Segurança – Durante os dois mandatos de Jaques Wagner (2007–2014), houve aumento consistente dos indicadores de criminalidade no estado, com destaque para o crescimento das taxas de homicídio. Dados do Mapa da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a Bahia liderou o ranking de assassinatos no país por diversos anos nesse período.
A política de segurança pública foi frequentemente criticada pela falta de investimentos em inteligência policial, baixos salários e infraestrutura precária. A Polícia Militar passou por crises internas, incluindo greves, e denúncias de corrupção fragilizaram a confiança nas instituições.
Essas brechas foram aproveitadas por organizações como o Comando Vermelho, que ampliaram seu domínio sobre comunidades vulneráveis e ampliaram suas redes de atuação no tráfico de drogas e armas.
Guerra entre facções: CV x PCC no Estado – A presença do CV não passou despercebida pelo PCC, facção rival originada em São Paulo. A Bahia passou a ser palco de confrontos diretos entre os dois grupos, principalmente a partir de 2011. Em bairros da capital e em cidades do interior, foram registradas execuções, chacinas e disputas armadas por pontos de venda de drogas.
A escalada da violência chamou atenção da mídia e das autoridades, mas as ações de repressão demoraram a surtir efeito. Segundo investigadores, muitas das disputas continuavam sendo organizadas de dentro de presídios baianos, onde as facções exerciam forte controle.
O que dizem especialistas e investigações? Reportagens da imprensa investigativa e levantamentos de institutos de segurança apontam que, embora o governo tenha ampliado operações policiais após 2011, o avanço das facções já estava consolidado. A falta de uma estratégia articulada entre inteligência, repressão e prevenção contribuiu para que o crime organizado fincasse raízes na Bahia.
A consolidação do Comando Vermelho na Bahia entre 2007 e 2014 marca um capítulo decisivo na história da segurança pública do estado. O período em que Jaques Wagner esteve à frente do governo coincidiu com a expansão de facções, revelando falhas estruturais no combate ao crime organizado e uma política de segurança que não acompanhou a realidade das ruas.
Agora, 20 anos depois, o desafio persiste. As facções seguem atuando e disputando territórios, e o estado ainda busca soluções duradouras para retomar o controle.
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