Criado por Rui Costa, esquema Credcesta / Banco Master lascou em banda 400.000 servidores e aposentados com juros de 6% ao mês

TVS1.com.br

O Credcesta, criado no governo de Rui Costa em 2015, nasceu com o discurso oficial de facilitar o acesso ao crédito para servidores públicos da Bahia. O cartão funcionava como um consignado: o servidor comprava em supermercados, farmácias e lojas credenciadas e o valor era descontado diretamente do salário. Com o tempo, o sistema se expandiu e passou a alcançar uma base estimada de mais de 400 mil servidores, aposentados e pensionistas do Estado.

Na prática, o modelo permitia usar parte da margem consignável para financiar compras do dia a dia.

As críticas começaram quando muitos servidores passaram a relatar endividamento crescente. O cartão operava com juros rotativos próximos de 6% ao mês, considerados elevados para operações consignadas. Como o desconto era automático no contracheque, vários trabalhadores passaram meses ou anos com parte do salário comprometida.

Entidades de servidores apontaram que o modelo incentivava a renovação constante da dívida, já que muitos pagavam apenas o valor mínimo descontado na folha, enquanto o saldo continuava aumentando.



Outro ponto que gerou forte questionamento ocorreu em 2022, quando um decreto do governo estadual passou a impedir ou dificultar a portabilidade dessas dívidas. Na prática, servidores que estavam no Credcesta não conseguiam transferir o saldo para bancos com juros menores. Críticos afirmam que isso consolidou a operação financeira do cartão e manteve milhares de servidores presos ao mesmo sistema de crédito, com cerca de 30% da margem consignável comprometida em alguns casos.

Embora ainda não exista um número oficial fechado, analistas do mercado financeiro e parlamentares afirmam que o impacto pode alcançar bilhões de reais ao longo dos anos, considerando a base de servidores e os juros aplicados.

O caso levanta três perguntas centrais: quem estruturou o modelo, quem ganhou com os juros e por que um sistema com acesso à folha salarial de centenas de milhares de servidores foi concentrado em poucos operadores.





Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

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