
A crise no governo da Bahia ganhou novos capítulos após fornecedores denunciarem atraso no pagamento de contratos firmados ainda em 2022, enquanto empresários e prefeitos relatam pressão para aceitar novas obras sem que dívidas antigas tenham sido quitadas.
Nos corredores da Secretaria de Infraestrutura da Bahia, o comentário dominante é de que o ex-governador e ex-ministro Rui Costa voltou a assumir influência direta sobre decisões do Palácio de Ondina, mesmo sem ocupar cargo oficial na gestão estadual. Integrantes da própria base admitem que o governador Jerônimo Rodrigues perdeu espaço político dentro do grupo petista, principalmente após pressões envolvendo nomeações e movimentações internas. O clima também atingiu a Serin, comandada por Adolpho Loyola, onde cresce o temor de mudanças em cargos estratégicos.
Enquanto o governo enfrenta turbulência política, a insegurança avança pelo interior baiano e já alcança cidades pequenas e regiões turísticas da Chapada Diamantina e do Recôncavo. Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com pesquisa do Datafolha realizada em 137 municípios brasileiros, mostram que cerca de 68,7 milhões de brasileiros vivem sob influência de facções criminosas ou milícias. O levantamento aponta ainda que 81% da população teme confrontos armados e quase 75% evitam determinados locais por medo da violência.
Em Palmeiras, cidade da Chapada com pouco mais de 10 mil habitantes segundo o IBGE, quatro homens morreram após confronto com a Polícia Militar no último dia 11. Na operação foram apreendidos uma carabina, duas pistolas, um revólver e drogas. Já em Cachoeira e São Félix, no Recôncavo, moradores passaram dias de tensão após circulação de mensagens atribuídas ao Bonde do Maluco (BDM) e ao Comando Vermelho (CV).
O desgaste político de Jerônimo Rodrigues também aumentou após episódios em que o governador deixou entrevistas sem responder perguntas sobre saúde e segurança pública. Em Jacobina, ao ser questionado sobre problemas no atendimento médico da região, Jerônimo encerrou rapidamente a conversa e seguiu para o avião oficial. Situação parecida já havia ocorrido em Nova Ibiá, em 2024, quando o petista evitou falar sobre violência rural.
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