
O primeiro debate da eleição para o Governo da Bahia começa neste domingo (9), às 20h, na Band, e representa muito mais do que um confronto entre candidatos. Será a primeira vez nesta campanha que o governador Jerônimo Rodrigues terá de encarar, ao vivo e sem a proteção dos palanques governistas, questionamentos diretos sobre os problemas acumulados pelo Estado.
Diante de ACM Neto e Ronaldo Mansur, o petista não poderá recorrer apenas a discursos ensaiados, cerimônias oficiais ou ambientes controlados, ocupados por aliados.
O “governador”petista terá de apresentar respostas, números e resultados. É justamente nesse terreno que Jerônimo chega mais vulnerável. Como governador, o petista carrega o peso de explicar a violência, o desemprego, os problemas da educação, a precariedade de serviços públicos e promessas que atravessaram sucessivos governos petistas. Segundo o IBGE, a Bahia registrou taxa de desemprego de 9,2% no primeiro trimestre de 2026, uma das maiores do país. A Ponte Salvador–Itaparica, anunciada desde o governo Jaques Wagner, continua sendo apresentada como símbolo de desenvolvimento sem que a população tenha recebido, até agora, a obra prometida.
Em um debate, cada anúncio pode ser confrontado com prazos, valores e a experiência real do eleitor baiano.
Por isso, o desempenho deste domingo poderá determinar se Jerônimo aceitará novos confrontos ao vivo. Existe outro debate marcado pela TV Bahia para 29 de setembro, que Jerônimo Rodrigues não confirmou presença até agora.
Seria precipitado afirmar como fato que Jerônimo já decidiu fugir dos próximos encontros. Entretanto, se o governador sofrer um desgaste expressivo na Band, a tendência política será sua campanha reduzir a exposição a situações sem controle, privilegiando palanques organizados, entrevistas individuais e eventos cercados pela militância.
A própria repercussão nas redes sociais, com cortes de respostas ruins circulando durante semanas, aumenta o risco para um candidato que não tem no improviso e na retórica suas principais qualidades.
Caso isso aconteça, setores da imprensa e aliados do PT poderão tentar dividir a responsabilidade, difundindo a versão de que os dois principais candidatos rejeitam os debates. Essa narrativa precisa ser enfrentada com fatos: quem for convidado deve confirmar publicamente sua presença, e quem faltar precisa explicar sua decisão ao eleitor.
O debate deste domingo deve servir para derrubar a política dos ambientes controlados. Jerônimo precisa responder pelo governo que comanda, ACM Neto deve explicar suas propostas e também o legado de sua trajetória e Ronaldo Mansur terá de mostrar se pretende apresentar alternativas ou apenas cumprir o papel de linha auxiliar ideológica.
Depois desta noite, qualquer candidato que fugir dos próximos debates estará fugindo não do adversário, mas do eleitor baiano.
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