
Composta por 39 representantes, a bancada da Bahia na Câmara dos Deputados está dividida sobre a proposta de reforma da Previdência Social que tramita na Câmara dos Deputados, cujo parecer da comissão especial que analisa o projeto foi lido na semana passada pelo presidente do colegiado, o baiano Arthur Maia (SD), que deu seu aval. A votação está prevista para a primeira quinzena de maio. Para aprovar a matéria em plenário, Temer precisa de pelo menos 308 votos entre os 513 deputados. Por ora, levantamentos preliminares apontam que o peemedebista só tem aproximadamente 100 votos garantidos. Em entrevista à Tribuna, contudo, o vice-líder do governo no Congresso Nacional, deputado Benito Gama (PTB), garantiu que o Planalto já tem votos suficientes para aprovar a matéria em plenário.
“Eu não voto com o governo neste projeto, voto pelo Brasil, voto pelo futuro de meus filhos e de meus netos. A proposta de reforma da Previdência Social não é um projeto de governo, é um projeto de país. Votos suficientes nós já tínhamos. Agora, temos também o apoio da população. As pessoas já começam a entender que é necessário fazer a reforma. A Previdência do Brasil como está hoje é insustentável”, afirma Benito. O deputado afirma que a proposta ganhou ‘apoio da população’ após o governo flexibilizar as idades mínimas e o tempo de contribuição mínimo para aposentadoria integral.
Também da base do governo, o presidente do DEM na Bahia, deputado José Carlos Aleluia, fez discurso semelhante ao de Benito ao antecipar seu voto favorável à matéria. “Vou votar com o Brasil. Isso aí não é votar com o governo. O projeto como foi apresentado pelo relator da comissão especial, da qual também faço parte, é justo. A Previdência Social do Brasil está falida”, decreta o democrata. Aleluia aproveitou a oportunidade para instigar os adversários com uma fala, segundo ele, do governador Rui Costa (PT). “Interessante que o governador Rui Costa disse uma coisa muito dura à imprensa. Ele disse que o Estado da Bahia não aguenta pagar a folha dos aposentados. Mas é estranho os aliados dele votarem contra a reforma”, cutuca o líder democrata.
Do outro lado, o deputado Félix Mendonça Junior, do PDT, justificou seu voto contrário dizendo que o governo devia cortar a taxa básica de juros praticada pelo Banco Central. “Acho que antes de mexer na aposentadoria do povo, o governo deveria é baixar a taxa de juros, pois mais de 45% do PIB (produto interno bruto) do Brasil são destinados a pagamento de juros da dívida pública. Depois, o governo devia reduzir o custeio da máquina pública. Dizia-se que os juros estavam altos por causa da crise econômica. Se o governo diz que não existe mais crise, por que manter a taxa de juro altíssima? Só se for para beneficiar os donos dos bancos. Aí o governo vai ter que chegar e dizer: ‘Olha, quem governa o Brasil são os bancos”, protesta Félix Jr.
Deputado do PT repudia proposta do Planalto
Dono de um dos discursos mais duros contra o governo Temer, o deputado Valmir Assunção, do PT, repudiou a proposta de reforma da Previdência, mesmo com a ‘flexibilização’ por parte do governo. Valmir aproveitou a oportunidade para convocar “a militância e o povo” às ruas no próximo dia 28, para quando as centrais sindicais estão marcando uma greve geral em todo o País. “Na verdade, Temer está pagando a conta do golpe contra Dilma, aprovando projetos que retiram direitos das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, beneficiando uma bancada de empresários.
Estas propostas vão atacar em cheio o trabalhador do campo. Já tinha frisado isto antes e volto a dizer, somente com o povo nas ruas vamos conseguir frear as sandices deste governo ilegítimo. Até o dia 24 de abril, o calendário deve ser extenso e vai culminar na greve geral, dia 28, contra o governo golpista e a retirada de direitos”, afirma o petista.
O placar geral da votação prevê dificuldades para o governo.
O número de parlamentares contrários à proposta aumentou em comparação com terça-feira (18), para 276. Enquanto o dos que são a favor diminuiu para 100. Até a noite semana passada, no levantamento do jornal O Estado de São Paulo, 35 indecisos ainda se declaravam indecisos. Para aprovar o projeto, Temer precisa do voto favorável de pelo menos 308 dos 513 deputados federais. No total, 64 deputados não quiseram responder; 36 parlamentares não foram encontrados; e um deputado disse que deve se abster. O levantamento também mostrou que, dos 100 deputados favoráveis, 85 têm ressalvas.
Fonte: Tribuna da Bahia
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