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Desafetação e alienação de terrenos públicos marca debate entre vereadores na sessão da Super-Terça da Câmara

Crédito: Mathias Jaimes/TV Servidor
Na sessão desta terca-feira (23), na Câmara Municipal, o Projeto de Lei nº 223/ 2017, de autoria do Executivo, que prevê a desafetação e alienação de 32 bens públicos, foi tema de debate na Super-Terça no plenário da Casa, onde houve discussões e confrontos de ideias sobre a proposta no Legislativo durante os trabalhos conduzidos pelo presidente da Casa, vereador Leo Prates (DEM).
O referido projeto gera grande debate, onde alguns vereadores da base do governo e da oposição se manifestaram em relação a matéria. Os aliados ao prefeito defendem que o projeto vai ajudar nos investimentos públicos para o desenvolvimento da cidade. Já os opositores, dizem que a proposta não apresenta estudo prévio sobre as áreas que serão desafetadas.
O líder do governo, vereador Henrique Carballal (PV), salientou que o projeto é constitucional que vai impulsionar o desenvolvimento da cidade. “A desafetação é quando muda a natureza do terreno. Existem áreas que podem ser alteradas em sua natureza e permitir que se preserve dentro de uma lógica de intervenção urbanística. A base do prefeito ACM Neto está unida e tem a consciência da importância desse projeto para a cidade e não irá titubear em defender os interesses da cidade”, destaca.
O líder da oposição, vereador José Trindade (PSL) rebateu e argumentou ao dizer que defende modificações em relação ao projeto e e orienta a bancada a se manifestar contrária a proposta com áreas sem estudo, sob a argumentação de que desafetar e alienar áreas já ocupadas com títulos, escrituras e que dão direito de posse prejudica os proprietários e a própria população. Além disso, Trindade alega que existem áreas que são necessárias elaborar um estudo prévio, que inclusive, há terrenos públicos já concedidos com escritura, e agora, a Prefeitura quer tomar através da desafetação. “O avô [Antonio Carlos Magalhães] deu e o neto [ACM Neto] agora quer tomar”, ironiza Trindade.
Primeira inscrita a falar na tribuna do plenário da Casa, a vereadora Marta Rodrigues (PT), lembrou que são 32 terrenos a serem desafetados, mas não há estudos sobre essas áreas. “Nós visitamos algumas dessas áreas. O pastor Ivo, que nós estivemos com ele, nos apresentou a escritura da legalização da área onde está construindo a igreja. Isso pra gente é muito grave, porque não foi feito nenhum estudo. Um outro morador apresentou documentos, provando que na Rua da Gratidão, terrenos estão para ser desafetados. Nós temos a prova de que não foi feito nenhum estudo. Quando se desafeta qualquer área, é necessário um estudo preliminar. A Lei Orgânica do Municipio (LOM), em seu artigo 10, define que a alienação de bens públicos está subordinada a existência de interesse público. Precisamos de um estudo que nos dê segurança para analisar o projeto”, destaca Marta.
O vereador Ricardo Almeida (PSC) defende, no seu entendimento, que o projeto estabelece a desafetação de um bem público apropriável e não apropriado. “Não significa dizer necessariamente que esse bem será vendido, doado ou arrendado a terceiros, mas signfica dizer que o ente público terá disponibilidade para tal, porque existem áreas na cidade que são direcionadas para determinados fins. Tem terrenos que estão carimbados para construção de escolas, creches e hospitais etc. Desafetar é tirar esse carimbo que determina a destinação desse terreno e possibilitar a prefeitura construir um outro equipamento, alienar ou até mesmo vende-lo. É isso que é necessário que a oposição compreenda. A oposição deve ser sistemática, mas não fazer oposição a cidade do Salvador. Ninguem quer ter sua casa invadida e nós não podemos ter terrenos públicos invadidos e ver a prefeitura de braços cruzados, em achar que é normal qualquer um se apropriar dos terrenos e virar dono”, explica Ricardo Almeida. Esse recurso será revertido para a própria cidade. Os cofres do município precisam ter recursos para tocar as obras na cidade”, completa.

Na mesma linha de Almeida, o vereador Tiago Correia (PSDB), lembrou que a alienação dos imóveis permite arrecadação de recursos que são do município, ao contrário do que diz a oposição. “Em caso de alienação desses imóveis, os recursos que serão arrecadados são do município e não do prefeito, como a oposição, muitas vezes, tenta mascarar. Existem meios de controle e normas bastante rígidas quanto à aplicação desse recurso em questão que está sendo aplicado na construção do Hospital Municipal, escolas, postos de saúde etc. Esse dinheiro retorna aos cofres públicos e é aplicado para a população”, indossa.

A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) voltou a tribuna e declarou que o projeto que coloca possibilidade de venda da propriedade pública tem que ser amplamente debatido, esclarecido e justificado sobre esse tipo de transação de venda e de doação do patrimônio público através de desafetação e alienação. “Somos guardiões do patrimônio público. Doação e venda de terra é política pública. Nós não queremos tratar como o prefeito está querendo nos induzir a acatar este projeto. A Câmara tem uma responsabilidade independente do Executivo. O Executivo quer nos levar a um caminho que não é o caminho adequado para a cidade. Esse projeto coloca 32 áreas com o objetivo muito claro: áreas para alienação para aumentar arrecadação. Não é com outro própósito”, critica Aladilce.

Em seu aparte durante o discurso de Aladilce, o vereador Edvaldo Brito (PSD), que é também jurista e profundo conhecedor da matéria no âmbito jurídico, declarou que se opõe sistematicamente ao projeto ao ser contra ao uso de bens públicos. “Nós vamos desafetar bens públicos que são de uso comum do povo. No dia em que eu concordar com isso, rasgo todos os livros que eu escrevi. Minha oposição ao projeto não é apenas sistemática. A minha oposição é crítica, uma hora em que esta Casa não foi feita para dizer amém a ninguém, só ao povo”, critica Brito.

O presidente da Casa, vereador Leo Prates (DEM), conduziu de forma pacífica a sessão quando os ânimos, os debates e os posicionamentos estavam amistosos, cada legislador expondo sua visão e seu ponto de vista. Esta sim é a verdadeira democracia. Temos que respeitar o posicionamento e livre pensamento de cada um, faço a função de mediar, conduzir, respeitar a livre expressão de cada vereador e sempre digo o plenário é soberano. A posição de cada um deve ser respeitada. Temos que manter este respeito e lisura na Casa, e sempre será dessa forma”, define Prates.

Desafetação e alienação de terrenos públicos

O Executivo encaminhou para à Câmara de Vereadores o Projeto de Lei nº 223/17 que prevê a desafetação e alienação de 32 terrenos na arrecadação de recursos para investimentos públicos na cidade.

Na sua justificativa do Projeto de Lei nº 223/17, o Executivo Municipal argumenta que a desafetação e alienação dos 32 bens públicos é necessária para “aumentar a arrecadação do município e evitar a perda do patrimônio por ocupação indevida”.

A desafetação é uma expressão usada no direito administrativo para denominar o ato pelo qual o Estado torna um bem público apropriável. Já a alienação de um bem público permite ao ente público realizar a sua transferência.

Sendo assim, caso a referida matéria seja aprovada pela Câmara Municipal de Salvador, a Prefeitura poderá vender estes bens públicos.

A Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final da Câmara Municipal havia aprovou na quarta-feira (10) o Projeto de Lei nº 223/ 2017, de autoria do Executivo de Salvador. O  projeto divide opiniões entre os vereadores da base do governo e da oposição. A proposta prevê a desafetação e alienação de 32 bens públicos na capital baiana. Agora a proposta segue para a Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização e depois será encaminhada para a Comissão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente.
A Câmara pediu audiência pública para debater o tema, porque proprietários de áreas, pois é um projeto que gera polêmica, não apenas pelos vereadores, mas também para os proprietários de áreas que serão desafetadas, cada qual com posições e questionamentos diferentes. O projeto será reavaliado nas comissões da Casa, onde receberá emenda que os vereadores entendem necessária e, posteriormente, irá a plenário para votação. O presidente da Câmara, vereador Leo Prates (DEM), submeteu a decisão ao colegiado e a maioria decidiu pela votação da matéria no dia 5 de julho.

Rafael Santana

Sobre Emmanuel

Como me defino? Pernambucano, católico e ANCAP. Sem mais delongas... " Totus Tuus Mariae". "... São os jovens deste século, que na aurora do novo milénio, vivem ainda os tormentos derivados do pecado, do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra..." Um adendo: somos dois pernambucanos contra um "não-pernambucano". Rs

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