A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) fez seu discurso de defesa do processo de impeachment no plenário do Senado ontem (29) ao reafirmar que não cometeu crime de responsabilidade por não haver, conforme a petista, comprovação concreta de que houve o fato e insistiu que está sendo vítima de um golpe parlamentar.
Dilma falou por 13 horas ao criticar em sua defesa o conteúdo inconsistente das acusações imputadas contra ela, prestar explicações durante a fase de julgamento final do processo de impeachment a qual foi submetida e defender os programas sociais do PT ao longo do seu governo, como a duração do tempo de fala da presidente afastada fosse uma mera coincidência em alusão ao 13 que é o número do PT nas eleições ou uma combinação de tempo já ensaiado com seus personagens para a defesa de Dilma no Senado fique gravado na história política do país. Na mesma defesa, ela criticou também as motivações do processo e fez questão de repetir por diversas vezes na intervenção dos senadores que é vítima de um “golpe de estado” e “golpe parlamentar”.
Logo no início da sessão pela manhã, a presidente afastada fez um discurso de 50 minutos como introdução de sua defesa. Dilma se disse injustiçada e chamou o processo de impeachment de “golpe”. O depoimento foi assistido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo cantor Chico Buarque e por figuras importantes do PT, como Rui Falcão, Jaques Wagner, Ricardo Berzoini, entre outros ex-ministros que estavam na galeria do plenário do Senado à convite da defesa da presidente afastada.
Dilma respondeu as perguntas dos 48 senadores inscritos que fizeram questionamentos, e nas respostas, a petista voltou a defender a realização de um plebiscito para a convocação de eleições antecipadas. Dilma explicou que os decretos assinados por ela não descumpriam a legislação pois a necessária autorização do Congresso já estava embutida nas leis que tratam do Orçamento. “A autorização legal está na Lei Orçamentária, que, no seu artigo 4º, autoriza o Executivo a abrir créditos suplementares e diz em que condições se pode abri-los ou não”, pontuou.
Quanto as tais “pedaladas fiscais”, a presidente afastada defendeu que a prática seria um tipo ilegal de operação de crédito ficou caracterizada somente após o entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU) no final de 2015 e que os atrasos aos bancos já teriam ocorrido em governos anteriores. Dilma afirmou também que o Plano Safra do Banco do Brasil não tinha diretamente o seu aval, o que descartaria a possibilidade de ela ser condenada pelas supostas práticas fiscais irregulares.
Antes de suspender a sessão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, que comanda a sessão, informou que os trabalhos nesta terça-feira (30) iniciam a partir das 10h. O presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), adiantou que o julgamento pode se encerrar na madrugada de terça para quarta-feira (31). Para Dilma ser condenada, é preciso o voto de uma maioria simples de 54 senadores favoráveis ao impeachment e 27 contrários a cassação da presidente afastada.
Foto: Reuters
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