Após captura de Maduro, EUA revivem Doutrina Monroe e reforçam poder sobre América Latina: “domínio nunca mais será questionado”

IA

O governo dos Estados Unidos voltou a colocar a Doutrina Monroe no centro de sua política externa e lançou nesta terça-feira (11) um recado de forte impacto para todo o continente. Em vídeo divulgado pelo Departamento de Estado, apresentado pelo embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, Washington revisita mais de 200 anos de atuação dos EUA no Hemisfério Ocidental.

A publicação veio acompanhada de uma afirmação que resume a nova postura americana: a predominância dos Estados Unidos na região “nunca mais será questionada”.

A frase já havia sido usada por Donald Trump após a operação militar que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro deste ano.

Criada em 1823 pelo presidente James Monroe, a doutrina nasceu como uma advertência às potências europeias contra novas colonizações e interferências políticas nas Américas. Com o crescimento econômico e militar dos Estados Unidos, porém, o princípio ganhou novas interpretações e passou a acompanhar diferentes momentos da expansão da influência de Washington sobre a América Latina.

No vídeo de mais de cinco minutos, Cabrera relembra episódios históricos, da presença europeia no México às disputas da Guerra Fria, e chega à atual política de Trump, que voltou a reivindicar abertamente a primazia americana no Hemisfério Ocidental.




O símbolo mais contundente dessa nova fase aconteceu em 3 de janeiro de 2026. Uma operação militar ordenada por Trump entrou em território venezuelano, capturou Maduro e sua mulher, Cilia Flores, e levou os dois para os Estados Unidos. Maduro responde em Nova York a acusações que incluem conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína, declara-se inocente e deverá ser julgado em junho de 2027. Depois da operação, Trump afirmou que os Estados Unidos conduziriam a Venezuela até uma transição considerada segura por Washington e associou a ação à retomada da Doutrina Monroe, chegando a brincar com a expressão “Doutrina Donroe”.

A versão histórica apresentada pelo Departamento de Estado, entretanto, simplifica episódios controversos da atuação americana na região. No caso da retirada francesa do México no século 19, por exemplo, documentos do próprio Departamento de Estado registram que a resistência mexicana comandada por Benito Juárez foi determinante para enfraquecer o regime de Maximiliano de Habsburgo. Os Estados Unidos, limitados inicialmente pela Guerra Civil, ampliaram o apoio aos mexicanos e a pressão sobre a França apenas depois do conflito interno americano.

A nova divulgação de Washington deixa claro, portanto, algo que ultrapassa a discussão histórica: mais de dois séculos depois de James Monroe, o governo Trump quer transformar novamente o Hemisfério Ocidental em prioridade estratégica absoluta dos Estados Unidos.







Sobre Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

Leia também!

Zé Cocá aponta falta de investimentos do Estado em Conquista e critica “incompetência política” do PT para enfrentar problemas da região

O candidato a vice-governador Zé Cocá (PP) afirmou nesta terça-feira (11), em Vitória da Conquista, …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *