
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales teve uma nova ordem de prisão decretada após ser acusado de suposto envolvimento nos protestos e bloqueios que paralisaram o país entre maio e junho. A investigação inclui acusações de terrorismo, levante ou insurreição armada, associação criminosa, incitação pública ao crime e ataques à segurança dos transportes e dos serviços públicos.
Morales, que governou o país entre 2006 e 2019 e mantém uma antiga relação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reagiu em tom de desafio: “Não vão nos intimidar”.
Os bloqueios duraram cerca de sete semanas e atingiram principalmente regiões do oeste e do centro da Bolívia, provocando falta de alimentos, combustíveis e até oxigênio hospitalar. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa boliviana, as manifestações deixaram mortos e causaram prejuízos econômicos bilionários.
O governo do presidente Rodrigo Paz sustenta que setores ligados a Morales tentaram provocar a queda da atual administração, enquanto o ex-presidente nega ter organizado uma ofensiva criminosa e afirma que as mobilizações buscavam pressionar o governo diante da crise econômica e social.
A nova ordem amplia o cerco contra Morales, que permanece no Trópico de Cochabamba, seu principal reduto político e sindical, cercado por apoiadores que dificultam qualquer tentativa de prisão. Ele já era alvo de outro mandado relacionado a um processo por suposto tráfico de pessoas, acusação também negada por sua defesa.
Com a nova decisão, o líder da extrema-esquerda radical boliviana passa a enfrentar simultaneamente diferentes frentes judiciais e volta ao centro de uma crise capaz de provocar novos confrontos entre forças de segurança e seus seguidores.
TVS1 Notícias da Bahia, Salvador, Política e Esporte