Ricardo Stuckert PR
O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, confirmou ter recebido um empréstimo pessoal da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e investigada pela Polícia Federal por suas relações com o chamado Careca do INSS.
Marcola afirmou que a dívida já foi quitada, negou qualquer ilegalidade e disse ter recebido com surpresa a divulgação do caso. O valor, a data e as condições do empréstimo não foram informados.
A revelação amplia a pressão política sobre o entorno do presidente em um momento no qual as conexões de Roberta são analisadas pela PF. A empresária declarou aos investigadores que apresentou Lulinha a Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos em aposentadorias. Segundo a investigação, uma empresa ligada ao Careca do INSS transferiu R$ 1,5 milhão para uma companhia de Roberta.
A defesa dela declarou desconhecer o empréstimo mencionado pelo ex-assessor de Lula.
Marcola deixou a chefia de gabinete presidencial recentemente para integrar a campanha eleitoral de Lula. Diante da repercussão, integrantes do PL passaram a preparar um pedido de investigação ao Supremo Tribunal Federal para apurar a origem, a finalidade e as circunstâncias da movimentação financeira.
Até o momento, entretanto, a confirmação do empréstimo não representa prova de crime, e o ex-assessor sustenta que nunca manteve qualquer relação ilegal durante o exercício de sua função pública.
O episódio surge enquanto a Polícia Federal tenta abrir uma terceira frente de investigação relacionada a Lulinha, desta vez por suspeita de tráfico de influência em favor de empresas privadas. O pedido foi distribuído ao ministro Flávio Dino, do STF. O filho do presidente já aparece em outras duas apurações envolvendo possíveis articulações no Ministério da Saúde, no gabinete da Presidência e na Dataprev.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que ele nunca exerceu cargo público nem utilizou relações no governo para favorecer interesses empresariais.
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