
Nossa Senhora Aparecida foi arrastada para o centro da disputa presidencial de 2026 depois que uma informação falsa passou a circular em massa nas redes sociais afirmando que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O boato ganhou força entre católicos, provocou forte repercussão política e chegou ao Tribunal Superior Eleitoral.
Nesta sexta-feira (25), o ministro André Mendonça determinou que plataformas retirem publicações que apresentem essa acusação como verdadeira. A decisão atingiu 1.170 links no X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.
A historinha usada para alimentar o boato nasceu de uma associação entre uma fala recente de Flávio e um projeto de lei apresentado 19 anos atrás por outro político. Em agosto, Flávio afirmou que, caso eleito, pretendia declarar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A frase começou a ser vinculada ao Projeto de Lei 2.623/2007, que propunha trocar a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
Só há um problema gigantesco nessa narrativa: Flávio Bolsonaro não apresentou o projeto. A proposta foi protocolada pelo então deputado Professor Victório Galli, à época do PMDB de Mato Grosso.
E há outro fato que derruba a história: o projeto está morto há quase duas décadas.
Documentos oficiais da Câmara dos Deputados mostram que a proposta foi rejeitada na Comissão de Educação e Cultura e arquivada definitivamente em 22 de agosto de 2008. A própria Câmara publicou uma checagem em 2018 para combater outra onda de informações falsas que dizia que a matéria continuava em tramitação. Portanto, não existe atualmente um projeto de Flávio Bolsonaro para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
A mentira alcançou tamanho volume que o assunto disparou também nas buscas do Google. Segundo levantamento publicado pelo Poder360, houve forte crescimento nas pesquisas por “Nossa Senhora Aparecida” após a disseminação do conteúdo. A Folha informou ainda que levantamento da Palver identificou mensagens em aplicativos tratando o boato como verdadeiro e acompanhadas de indignação entre católicos. Flávio negou publicamente a acusação e afirmou que a história era uma fake news.
Ao determinar a remoção dos conteúdos, André Mendonça classificou como “notoriamente inverídica” a afirmação de que Flávio ou integrantes de sua família teriam proposto, articulado, apoiado ou pretendido retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
A decisão estabelece multa diária de R$ 50 mil por plataforma em caso de descumprimento.
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