IA / Montagem TVS1
A primeira agenda de Flávio Bolsonaro (PL) no Nordeste como candidato à Presidência expôs um dos principais obstáculos de sua campanha: construir palanques competitivos numa região onde Lula mantém forte influência eleitoral. Flávio desembarcou em Maceió nesta terça-feira (25) acompanhado do vice, o deputado alagoano Alfredo Gaspar (PL), e foi recebido por militantes e políticos de direita, mas três nomes importantes da articulação local, JHC (PSDB), Marina Candia (PSDB) e Arthur Lira (PP); ficaram fora dos principais atos de rua.
Lira apareceu somente mais tarde, durante uma celebração da Assembleia de Deus. A ausência não significou rompimento: Flávio reafirmou apoio a JHC para o governo e ao grupo aliado no estado, enquanto a campanha tenta conciliar candidatos locais que precisam também dos votos de eleitores lulistas.
A estratégia tem uma explicação matemática. Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro no país por cerca de 2,1 milhões de votos, mas somente no Nordeste acumulou uma vantagem próxima de 12,5 milhões. Por isso, a campanha de Flávio não trabalha necessariamente para vencer Lula na região, mas para diminuir drasticamente essa diferença.
O PL decidiu apoiar candidatos fortes aos governos estaduais mesmo quando eles não declaram voto em Flávio no primeiro turno.
Na Bahia, o partido está na coligação de ACM Neto (União Brasil), que declarou preferência presidencial por Ronaldo Caiado (PSD).
No Ceará, a legenda se aliou a Ciro Gomes (PSDB) contra o governador petista Elmano de Freitas.
A expectativa de dirigentes bolsonaristas é que, encerradas as disputas estaduais, esses grupos possam convergir contra Lula em um eventual segundo turno presidencial.
A Bahia ocupa lugar central nessa equação. O PL apoia ACM Neto contra Jerônimo Rodrigues (PT) mesmo sem receber, neste momento, reciprocidade na disputa presidencial. A composição permite que Neto busque simultaneamente eleitores de direita e uma parcela do eleitorado que vota em Lula enquanto João Roma, Ângelo Coronel e outros integrantes da chapa fazem campanha para Flávio.
A aposta é semelhante em outros estados: primeiro derrotar ou enfraquecer candidatos ligados ao PT nas eleições locais; depois, com os governos estaduais definidos, transformar essas estruturas em uma frente nacional contra a reeleição do presidente.
Sem o mesmo volume de palanques próprios que Jair Bolsonaro teve em 2022, Flávio também aposta fortemente no eleitorado evangélico. Em Maceió, participou da celebração pelos 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas e recebeu uma oração do pastor José Wellington Costa Junior, que pediu bênçãos para sua campanha e afirmou desejar que o Brasil fosse “liberto das garras de Satanás”.
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