
A primeira-dama Janja Lula da Silva publicou um vídeo de campanha com sete acusações contra Flávio Bolsonaro (PL), mas não apresentou documentos para sustentar suas previsões. Em pouco mais de um minuto, ela afirmou que o candidato destruirá direitos das mulheres, enterrará o fim da escala 6×1, acabará com o Farmácia Popular, permitirá o domínio do crime organizado e devolverá armas para dentro das casas.
Janja também falou em novas “covas abertas” durante uma eventual pandemia e acusou Flávio de entregar as riquezas brasileiras aos Estados Unidos.
O tom foi alarmista, mas a pergunta continua sem resposta: onde estão as provas?
No caso das mulheres, o plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral apresenta um eixo chamado “Brasil por Elas”, com propostas de atendimento jurídico e psicológico, proteção de vítimas, monitoramento eletrônico de agressores, capacitação profissional, crédito e espaços de acolhimento.
Sobre a escala 6×1, também não existe no documento uma proposta para obrigar trabalhadores a atuar sete dias por semana. O programa defende jornadas flexíveis e negociação dentro das regras legais. A Câmara aprovou em dois turnos a redução da jornada para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, por 461 votos a 19 na votação final.
Transformar uma divergência sobre o modelo trabalhista em “sete dias de trabalho” é trocar informação por medo.
A acusação sobre o Farmácia Popular enfrenta o mesmo problema: não existe fala, voto ou trecho do plano de Flávio propondo o encerramento do programa. O documento prevê ampliação da Saúde da Família, correção da tabela do SUS, uso da rede privada para reduzir filas e entrega domiciliar de medicamentos a idosos, pessoas com deficiência e pacientes crônicos.
Na segurança, Flávio propõe classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, reforçar fronteiras, ampliar operações de inteligência, construir presídios e dobrar os investimentos federais no setor.
Janja fez sete acusações. Os registros oficiais mostram outra realidade. Acusar é fácil. Apresentar documentos é outra história, e até agora ela não apresentou.
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