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O senador Jaques Wagner (PT-BA) não será ouvido nesta sexta-feira (7) pela Polícia Federal no inquérito do caso Banco Master. O depoimento, marcado havia semanas, foi adiado após pedido da defesa do parlamentar, que afirma ainda não ter conseguido acesso integral ao conteúdo da investigação.
Segundo os advogados, problemas técnicos documentados impediram a consulta aos elementos do processo, e uma nova data para a oitiva ainda não foi divulgada.
A defesa sustenta que Wagner pretende prestar depoimento, mas somente depois de conhecer exatamente as suspeitas, documentos e demais elementos reunidos pelos investigadores. O advogado Pablo Domingues afirmou que o acesso foi solicitado quando a data da oitiva foi indicada, há quase um mês. Os representantes do senador defendem que conhecer previamente o conteúdo da investigação é necessário para que Wagner possa prestar esclarecimentos completos.
O depoimento é considerado uma etapa importante da investigação porque a Polícia Federal apura supostas vantagens econômicas indevidas relacionadas ao extinto Banco Master e ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Entre os elementos mencionados pela investigação estão um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, utilização de aeronaves, despesas com um show internacional e pagamentos destinados a uma empresa ligada à família do senador.
Todas essas circunstâncias ainda estão sob investigação e Wagner nega ter cometido irregularidades.
Documentos da apuração também apontam uma relação frequente entre Wagner e Augusto Lima. Segundo informações tornadas públicas no processo, foram identificadas 74 ligações entre os dois, que somaram aproximadamente cinco horas e meia de conversas. A PF investiga se essa proximidade ultrapassou uma relação pessoal e teria resultado na atuação do parlamentar em assuntos de interesse do grupo ligado ao Master.
Wagner reconheceu que mantinha relacionamento próximo com o empresário, mas contesta a interpretação de que tenha atuado de forma irregular.
O senador foi alvo de busca e apreensão em 18 de junho, em uma fase da Operação Compliance Zero autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Posteriormente, Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado e declarou estar tranquilo, afirmando que pretende provar sua inocência.
Com o depoimento desta sexta cancelado, a expectativa agora se concentra na definição de uma nova data e no momento em que a defesa terá acesso ao material que embasa as suspeitas investigadas pela Polícia Federal.
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