
Enquanto cerca de 50 jornalistas eram conduzidos pelo canteiro industrial da Ponte Salvador-Itaparica para conhecer tubos de aço, estacas metálicas e etapas da construção, outro número colocava o governo Jerônimo Rodrigues contra a parede: a Bahia terminou 2025 com uma carência superior a 21 mil policiais civis e militares em relação ao efetivo previsto em lei.
A visita guiada à obra, determinada pelo governador, surge como uma tentativa de transformar em imagem concreta um projeto que atravessou quase duas décadas de anúncios, adiamentos e desconfiança popular.
A ponte foi apresentada oficialmente pelo então governador Jaques Wagner em março de 2009, quando o projeto foi entregue ao presidente Lula. Naquele período, chegou-se a falar em conclusão por volta de 2013. Dezessete anos depois, o governo voltou a reunir a imprensa para provar que o empreendimento finalmente avançou além dos discursos. Atualmente, aproximadamente 300 trabalhadores atuam nos canteiros de São Roque do Paraguaçu, Vera Cruz e Jequitaia, dentro de uma obra estimada em cerca de R$ 12 bilhões.
Jerônimo afirmou que abriu as portas do empreendimento para impedir que jornalistas recebessem informações que classificou como “deturpadas”. Também prometeu repetir as visitas em Vera Cruz e na região de São Joaquim, em Salvador. A iniciativa atende à necessidade de dar visibilidade ao trabalho industrial já iniciado, mas também revela o tamanho do desgaste acumulado: depois de tantas previsões frustradas, o governo precisa agora convencer a população não apenas de que existem tubos sendo soldados, mas de que a ponte será realmente concluída.

Na segurança pública, a resposta do governador teve um tom diferente. Ao ser questionado sobre o relatório do Tribunal de Contas, Jerônimo declarou ao Informe Baiano que “existe o mundo ideal e existe o mundo real” e disse que pretende elaborar um plano para recompor o efetivo durante os próximos quatro anos, caso seja reeleito. O levantamento aponta uma falta de 15.332 policiais militares e 5.747 policiais civis.
A PM encerrou 2025 com 31.862 integrantes diante de uma previsão legal de 47.194, enquanto a Polícia Civil possuía 5.583 servidores para um quadro previsto de 11.330.
Os números da violência tornam a discussão ainda mais pesada. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública contabilizou 5.473 mortes violentas intencionais na Bahia em 2025, o maior total entre os estados brasileiros. A taxa ficou em 36,8 mortes para cada 100 mil habitantes, a segunda maior do país. Apesar de uma redução de 9,6% em relação a 2024, a Bahia também registrou 1.570 mortes decorrentes de intervenções policiais, equivalentes a 28,7% de todas as mortes violentas ocorridas no estado.
Jerônimo tenta, assim, construir duas mensagens distintas às vésperas da eleição: na ponte, quer mostrar que a promessa antiga começou a virar obra; na segurança, pede mais quatro anos para recompor um efetivo que já era insuficiente quando assumiu o governo.
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