
O jornalista Leandro Demori foi desligado do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), onde atuava havia três anos como diretor de Jornalismo, apresentador e comentarista, em uma saída que escancarou uma crise financeira e um racha nos bastidores de um dos principais veículos digitais ligados ao campo progressista. A demissão ocorreu na sexta-feira (10), mas ganhou repercussão nesta segunda-feira (13), quando Demori afirmou ter sido retirado do ar e afastado de todas as funções por “decisão unilateral” da direção geral.
Em carta ao Conselho Editorial, ele disse que havia recebido a ordem de cortar 30% do orçamento do jornalismo, incluindo a preparação de uma lista de demissões, e sustentou que os problemas financeiros seriam consequência de decisões empresariais das quais não participou. “Fui tirado do ar e de todas as funções que exercia no ICL, inclusive da Direção de Jornalismo”, declarou o jornalista, que prometeu revelar futuramente detalhes dos bastidores e anunciou uma campanha de financiamento coletivo para manter seus projetos independentes e custear processos judiciais ligados à sua atuação profissional.
Do outro lado, o fundador e controlador do ICL, Eduardo Moreira, confirmou que a empresa atravessa uma reorganização financeira, mas apresentou uma versão diferente: segundo ele, a mudança faria parte de uma revisão geral de despesas para adequar os custos à capacidade de investimento do instituto, cuja receita viria exclusivamente da venda de cursos, sem publicidade pública ou privada.
Moreira afirmou que os cortes atingiriam poucas posições, não representariam julgamento sobre a qualidade dos profissionais e seriam necessários para garantir a continuidade do projeto; disse ainda que a cobertura eleitoral, os novos cenários e a programação prevista serão mantidos.
Apesar da demissão, Leandro Demori continua aparecendo como sócio do ICL, e ainda não há definição pública sobre o destino de sua participação na empresa. O caso expõe uma situação curiosa: enquanto a esquerda costuma atacar o mercado, cobrar transparência e criticar cortes de pessoal, agora enfrenta dentro de casa a velha conta que não perdoa ninguém… quando a arrecadação cai, o discurso termina esbarrando na realidade do caixa.
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