
As reservas internacionais do Brasil sofreram uma queda impressionante em novembro, com uma redução de 32 bilhões de dólares em menos de um mês. No início do período, o país acumulava 363 bilhões de dólares, mas, no dia 24, esse número já havia caído para 331 bilhões de dólares. Essa diferença, que equivale a 200 bilhões de reais, supera o valor gasto com o Bolsa Família ao longo de 2024, que foi de 168 bilhões de reais.
Além disso, é oito vezes maior que o orçamento federal para infraestrutura de transportes neste ano e onze vezes o total de projetos aprovados pela Lei Rouanet no mesmo período.
A queda das reservas foi causada por uma estratégia do Banco Central para conter a alta do dólar, mas a raiz do problema está na desconfiança dos mercados em relação à capacidade do governo de equilibrar suas contas. Sem um plano claro para cortar gastos e controlar o déficit fiscal, o Brasil transmite sinais de fragilidade econômica, alimentando a corrida pela compra de dólares e pressionando ainda mais a moeda nacional.
Essa dinâmica cria um ciclo perigoso: quanto mais as reservas são usadas, mais evidente fica a falta de controle fiscal, o que intensifica a fuga de capital.
O episódio contrasta com declarações otimistas feitas por membros do governo no início do mês. O vice-presidente Geraldo Alckmin, por exemplo, publicou nas redes sociais que o Brasil havia atingido o maior nível de reservas internacionais em cinco anos, exaltando a “força do Real” e a “soberania econômica” proporcionadas por essas reservas. No entanto, a velocidade com que esse colchão de segurança foi drenado expõe a fragilidade das políticas econômicas atuais e mostra que apenas ter reservas robustas não é suficiente sem uma gestão fiscal sólida.
O impacto dessa perda vai além dos números. A redução acelerada das reservas internacionais compromete a imagem do Brasil perante credores internos e externos, elevando os riscos de uma crise econômica mais profunda.
O cenário atual deixa claro que a ausência de reformas fiscais efetivas não apenas prejudica o equilíbrio das contas públicas, mas também ameaça a estabilidade econômica do país, pressionando a população com o aumento do custo de vida e uma moeda cada vez mais desvalorizada.
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