Ricardo Stuckert / PR
A votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou um crescimento expressivo entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Segundo levantamento apresentado em um infográfico que compara os resultados estaduais, o petista passou de 53.879.538 votos no primeiro turno para 64.065.122 no segundo, um acréscimo de 10.185.584 votos, equivalente a 18,9%.
O crescimento chama atenção não apenas pelo volume nacional, mas pela distribuição geográfica: Lula ampliou sua votação nas cinco regiões brasileiras, incluindo estados onde Flávio Bolsonaro (PL) tinha forte presença eleitoral.
Os números do segundo turno foram extraídos de uma apuração parcial, consultada às 21h06 de domingo (25), quando 95,33% das seções estavam totalizadas.
O maior crescimento absoluto apresentado no levantamento ocorreu em São Paulo, onde Lula ganhou 1.692.150 votos, passando de 9,5 milhões para 11,19 milhões. Em Minas Gerais, foram mais 939.534 votos; no Rio Grande do Sul, 516.684; no Paraná, 489.905; e em Santa Catarina, 289.545. No Centro-Oeste, os percentuais também chamam atenção: Goiás registrou crescimento de 32,4% na votação de Lula, enquanto o Distrito Federal apresentou avanço de 20,5%.
A comparação revela uma diferença importante em relação ao Nordeste: na Bahia, por exemplo, o aumento foi de 317.989 votos, equivalente a apenas 5,6%.
Assim, proporcionalmente, o crescimento de Lula foi maior em alguns estados fora de sua principal base eleitoral do que em estados nordestinos.
O levantamento também revela uma diferença significativa no desempenho dos dois candidatos entre os turnos.
Com a totalização concluída, Lula alcançou 64.256.232 votos, contra 53.879.538 na primeira votação, um ganho de 10.376.694 votos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, passou de 56.104.503 para 59.826.041 votos, acrescentando 3.721.538. Ou seja, Lula conquistou aproximadamente 2,8 vezes mais votos adicionais que seu adversário, revertendo a vantagem de 2,22 milhões de votos que Flávio havia obtido no primeiro turno.
A virada ocorreu em uma eleição na qual a abstenção caiu de 21,08% para aproximadamente 19,2%, ampliando o comparecimento em cerca de três milhões de eleitores.
A transferência de votos dos candidatos eliminados e a redução dos votos brancos e nulos também precisam ser consideradas para explicar o crescimento.
A dimensão dessa mudança eleitoral abre espaço para uma investigação detalhada sobre o comportamento dos eleitores, especialmente nos estados onde o crescimento proporcional de Lula foi mais elevado. A análise precisa identificar quantos votos vieram dos candidatos eliminados, quantos resultaram do aumento do comparecimento e como variou a distribuição dos votos válidos em cada município.
O crescimento de 10,38 milhões de votos, isoladamente, não comprova fraude ou manipulação eleitoral.
A verificação exige o cruzamento dos resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos boletins de urna e dos dados de comparecimento.
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