
A petezada voltou a tratar saúde mental como piada. Primeiro, Lula afirmou, durante evento com jovens em Goiás, que “nunca teve tempo pra depressão”. Depois, Jaques Wagner, ao rebater ACM Neto nas redes sociais, disparou: “Recomendo um Rivotril!”.
Em dois episódios diferentes, dois nomes históricos do PT usaram depressão, ansiedade e remédio controlado como instrumento de deboche político, justamente em um país onde milhões de famílias convivem, todos os dias, com sofrimento psicológico dentro de casa.
O problema é que depressão não é frescura, falta de trabalho nem nervosismo de adversário. O próprio Ministério da Saúde define a depressão como uma doença mental grave, recorrente e altamente prevalente, associada ao suicídio quando não tratada. A pasta aponta prevalência ao longo da vida em torno de 15,5% no Brasil, enquanto a OPAS/OMS informou, em 2025, que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos de saúde mental no mundo, com ansiedade e depressão entre os quadros mais comuns e uma perda estimada de 12 bilhões de dias úteis por ano por causa dessas doenças.
Não se trata apenas de disputa política, mas de empatia básica com quem toma remédio, faz terapia, luta para levantar da cama, tenta trabalhar mesmo sem força e ainda carrega o peso do preconceito.
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