
O embate entre o deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) e o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, desembargador Maurício Kertzman, ganhou proporções explosivas depois que o magistrado apresentou, durante sessão do tribunal, um áudio atribuído ao parlamentar.
Na gravação, Nilo reclama da atuação de Kertzman em processos envolvendo seu nome e afirma que a Bahia conheceria um “dossiê pesado” caso o desembargador continuasse fazendo o que ele classificou como perseguição. Kertzman interpretou o conteúdo como uma ameaça e informou que o caso foi levado ao MPF e ao MP-BA.
Marcelo Nilo confirmou a autoria da mensagem, mas negou ter ameaçado o presidente do tribunal. O deputado afirmou que recebeu de seis desembargadores um suposto dossiê contra Kertzman e prometeu ler o material na tribuna da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira (18).
Segundo Nilo, o conteúdo apresentaria acusações relacionadas à venda de decisões judiciais; entretanto, nenhuma prova desse material foi divulgada até agora e as alegações permanecem sem comprovação pública. Também é relevante registrar que uma investigação anterior envolvendo acusações contra Kertzman foi arquivada pelo Superior Tribunal de Justiça em 2023.
O desembargador sustenta que a exposição do áudio foi necessária para proteger a independência da magistratura e declarou não se considerar impedido de continuar participando dos julgamentos.
Já Nilo acusa Kertzman de atuar politicamente e de favorecer o grupo dos senadores Rui Costa e Jaques Wagner, alegação igualmente contestada e não demonstrada. A crise agora deixa de ser apenas um choque verbal: de um lado, o Ministério Público poderá investigar uma possível tentativa de interferência sobre um julgador; do outro, Marcelo Nilo terá de apresentar o prometido dossiê e responder pela veracidade das acusações.
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