
A declaração de Rui Costa ao Bahia Notícias (“vendemos um supermercado que estava falido”), reacendeu uma discussão que vai muito além de uma metáfora. Ao comentar a situação do Banco Master e a relação com a Credcesta na Bahia, Rui tenta resumir a operação como simples alienação de um ativo problemático.
Oque está em debate não é apenas a venda em si, e sim a origem do modelo de crédito consignado estruturado no estado, o ambiente regulatório criado à época e os desdobramentos que vieram depois.
O crédito consignado é hoje um dos maiores mercados financeiros do país, movimentando mais de R$ 600 bilhões segundo dados do Banco Central, e qualquer estrutura ligada a desconto em folha de servidores envolve responsabilidade direta do poder público.
O ponto central levantado por críticos é a chamada “gênese” do modelo. A Credcesta foi implementada como ferramenta de crédito com desconto automático em folha para servidores estaduais, mecanismo que exige autorização legal e convênios específicos. O Banco Master, por sua vez, expandiu rapidamente suas operações nesse segmento nos últimos anos, ganhando projeção nacional.
A pergunta que permanece é objetiva: o ambiente criado na Bahia serviu de base para um modelo que depois cresceu em escala nacional? A versão de que “era um supermercado falido” simplifica um debate que envolve política pública, mercado financeiro e impacto direto na renda do funcionalismo.
Em finanças públicas, o que importa não é apenas a frase, mas os contratos, as regras e os números.
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