Política

O Brasil pós-eleição



Talvez o mais importante é analisar a força que o governo Lula poderá ter para avançar nas reformas e desenvolvimento do país. Diferentemente de outras eleições, este não é um governo do PT, mas sim de aliados: são ao todo 16 partidos (PT, PV, PCdoB, PSOL, Rede, PSB, Solidariedade, Pros, Avante, Agir, PDT, Cidadania, PCB, PSTU, PCO e Unidade Popular), assim os ministérios do novo governo devem ser formados por representantes de diversos partidos.

Na Câmara dos Deputados, o presidente Lula possui 144 deputados aliados e sua capacidade negociadora deverá ser exercida com os 175 parlamentares de centro e alguns menos radicais de direita para conseguir avançar e formar maioria para a reforma, incluindo o presidente da Casa. Já no Senado são 15 os apoiadores do presidente Lula, que devem formar composição com os outros 42 de centro e centro-direita.

Essas negociações devem ser facilitadas pela presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, que possui um perfil moderado pautado na eficiência do Estado, assim como a aproximação da senadora republicana Simone Tebet, que ganhou exposição na CPI da Covid-19, foi a terceira colocada na concorrência presidencial com 4,16% do total de votos válidos e deve contribuir substancialmente pela influência adquirida ao longo dos últimos 12 meses.

Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Do ponto de vista internacional o Brasil deve ter grande exposição com implantação de ações socioambientais para a defesa da Amazônia, políticas transversais e legislação ambiental, uma vez que a Floresta Amazônica e o meio ambiente estão no centro das discussões climáticas.

Essa agenda contribuirá para que o Brasil receba investimentos, como já anunciado pela Noruega, e a possibilidade da retomada do seu papel de protagonista global na formação de economia limpa de baixa emissão de carbono, propiciará ampliar sua participação em exportação do agronegócio e no desenvolvimento de novas tecnologias.

Quanto ao nosso agronegócio, esse é um setor pilotado por empresários que investem em inovação, tecnologia e alta performance, motivo pelo qual devem, segundo o Grupo de Conjuntura da Dimac/IPEA, apresentar para 2023 um crescimento de 10,9% no valor adicionado contra uma queda de 1,7% em 2022.

Para o mercado doméstico o aceno também é positivo pela retomada de investimentos em educação pelo Sisu, Fies, Prouni e programas como o Minha Casa Minha Vida com impacto direto na construção civil, minério e serviços, melhorando a renda da população.

A economia familiar e de pequenas e médias empresas, que representam mais de 70% da geração de empregos no país, também serão foco com linhas de crédito e investimentos relacionados a sua retomada, desenvolvimento e inovação. Cabe destacar o importante papel do Banco Central independente sob a direção do Roberto Campos Neto no controle da inflação e políticas monetárias que serão fundamentais para o sucesso do Brasil.

Todavia, muitos pontos de atenção devem ser igualmente levados em consideração. O novo governo terá que refazer o orçamento (LDO), suas negociações não poderão prejudicar uma política fiscal responsável e os cargos nos ministérios devem ter composição técnica reconhecida pelo mercado. Também não podemos ignorar outros agravantes severos que certamente trarão reflexos por aqui, como a persistência da guerra entre Rússia e Ucrânia, inflação global que segue alta com destaque para Estados Unidos e Europa e por último o potencial desaquecimento da economia chinesa, cenário bem diferente de seu primeiro mandato em 2003.

Assim, o novo governo não terá vida fácil em seu primeiro ano, mas, se conseguir utilizar seu capital político para avançar com as reformas administrativa e tributária, manter uma política fiscal austera e o seu prestígio para conquistas nas relações internacionais, o dólar deverá tender a R$ 4,50 ao final de 2023, a taxa Selic entre 10% e 11% aa com queda moderada na inflação e o Brasil poderá atingir um crescimento entre 2,5% e 3%.

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Eduardo Silva é CEO do EDANBANK
com mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro


Emmanuel

Como me defino? Pernambucano, católico e ANCAP. Sem mais delongas... " Totus Tuus Mariae". "... São os jovens deste século, que na aurora do novo milénio, vivem ainda os tormentos derivados do pecado, do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra..." Um adendo: somos dois pernambucanos contra um "não-pernambucano". Rs

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