
Em entrevista à rádio Metrópole na manhã desta segunda-feira (2), o senador Otto Alencar tentou justificar a decisão de manter o PSD no palanque do governador Jerônimo Rodrigues, mesmo após a traição explícita do PT contra Ângelo Coronel. O que mais chamou atenção foi o silêncio constrangedor de Otto diante do isolamento do amigo de mais de 40 anos, tratado como detalhe descartável numa articulação comandada pelo incompetente Jerônimo Rodrigues.
Otto afirmou que “a grande maioria dos prefeitos” e parlamentares do PSD “quer continuar na base do governo”, mas nenhum dos citados se manifesta publicamente para assumir esse apoio.
Nos bastidores, o que se vê é medo de desgaste e rejeição crescente ao projeto petista na Bahia. Ainda assim, Otto admitiu que a decisão de seguir com Jerônimo é exclusivamente dele… e fez questão de cravar que jamais apoiaria ACM Neto, reforçando um alinhamento pessoal, não coletivo.
Durante a longa fala, Otto também reconheceu que Coronel nunca tentou tirá-lo do comando do PSD e que não houve qualquer movimento formal contra sua liderança. Mesmo assim, escolheu expor o aliado, relativizar a traição promovida por Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues e repetir, a cada resposta, gestos de lealdade ao Lula, o descondenado petista, numa sequência de elogios a programas sociais e ao legado do PT… apesar de dizer que “não é defensor” do partido nem de Jaques Wagner.
No fim, ficou claro que o PSD virou figurante numa decisão já tomada, guiada por afinidade ideológica e não por consenso. Coronel foi deixado de lado, o partido segue dividido e a base governista insiste em fingir normalidade enquanto empurra aliados históricos para fora do jogo, em nome da sobrevivência política do petismo na Bahia.
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