Em entrevista ao A Tarde, o empresário e futuro presidente da bicentenária Associação Comercial da Bahia (ACB), Paulo Cavalcanti, cobrou maior participação do setor produtivo na vida política do Brasil para contribuir para o desenvolvimento social do país. Cavalcanti prega uma grande mudança de cultura.
O presidente acredita “na consciência cidadã participativa” e nos “grandes erros que nós, empresários e cidadãos brasileiros em geral, cometemos foi nos afastarmos da democracia participativa. Nossa Constituição de 1988 é uma das mais progressistas e avançadas do mundo. É só parar para analisar. A liberdade de expressão, a livre iniciativa, o respeito à propriedade privada. Você tem muito do capitalismo e, ao mesmo tempo, uma visão mais socialista de que todos nós somos iguais perante a lei, indistintamente de credo, raça, cor, opções sexuais. Tem o direito de todos à educação, saúde, segurança pública, justiça, moradia.”
“Nos afastamos do Estado. Nós acreditamos que só a democracia representativa iria ser suficiente e não foi. Isso criou realmente um prejuízo enorme para o país. Acredito que, junto com a Associação Comercial da Bahia, a gente consiga unir as classes produtivas da Bahia. E, nessa união, a gente consiga participar harmoniosamente e contribuir com o Estado. E fazer com que o Estado brasileiro realmente, e o Estado baiano no caso da associação, venha a retomar o impulso de desenvolvimento econômico e social que a gente tanto precisa. Que a gente volte a ter segurança jurídica, que a gente volte a ter segurança pública, que a gente volte a gerar emprego em todos setores, do turismo a indústria.”

São os empresários, aqueles que realmente movimentam a economia, na lógica de Paulo Cavalcanti “os que mais podem fazer pela sociedade. Os que podem mais fazer pelo nosso país são aqueles que têm tempo, recurso e conhecimento. Porque os que mais precisam da educação pública, saúde, segurança, acesso à Justiça são os que menos podem fazer. Porque eles não têm tempo, porque estão lutando pela própria vida. Muitas vezes não têm o conhecimento. Então, como a pessoa jurídica, através da liderança da pessoa física que está lá, pode contribuir? Trazendo uma consciência cidadã, despertando na população o princípio da cidadania. Fica fácil quando você tem uma relação que chamo de ‘hipossuficiência’ entre o Estado aparelhado contra o cidadão comum, o empresário comum. Normalmente, ele não conhece os seus direitos, ele não exige. Você não vê ninguém na porta da prefeitura, do governo, do secretário, do ministro da Educação, dizendo a ele: isso vai parar ou a gente vai criar uma confusão, a gente vai fazer uma greve. Porque minha educação pública não é eficiente. Apesar de estar no artigo 37 da Constituição que é obrigação do prefeito, do governador, do presidente da República dar os serviços públicos com eficiência. Se você atrasar uma prestação do seu IPTU, se você atrasar uma prestação de qualquer tributo da sua empresa, você é negativado.”
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