
A comemoração em homenagem a Nossa Senhora da Conceição da Praia como Padroeira da Bahia tinha tudo para ser marcado por uma festa inesquecível. Estava prevista, inicialmente, uma grande solenidade nesta quinta-feira (8), na Basílica que leva o nome da Santa, com a presença do governador Rui Costa (PT), do prefeito ACM Neto (DEM) e de vereadores. Mas, os políticos resolveram se ausentar da celebração e dos festejos que marcam a tradicional manifestação religiosa e popular do Estado, fato inusitado que chama atenção da igreja e da população.
A missa solene foi celebrada pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Murilo Krieger na manhã de quinta. Mesmo assim, a presença de políticos foi tímida, revelando a situação de crise ética, moral e política que vive o Brasil para evitar um constrangimento geral diante dos populares. A crise ética e política fez com que as autoridades sumissem e o fato virasse a principal atração nas comemorações em homenagem a Padroeira da Bahia.
Os políticos deixaram de comparecer a missa de bênçãos religiosas na Basílica de Nossa Senhora da Conceição durante os festejos. Apesar do convite aberto a todos eles, apenas os vereadores Joceval Rodrigues (PPS), Waldir Pires (PT) e o mais novo eleito Alexandre Aleluia (DEM) compareceram a celebração. Porém, dos 43 vereadores, apenas dois compareceram. O governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto deixaram de comparecer.
Os poucos que compareceram tiveram de ouvir um intenso sermão para criar consciência dos seus atos, especialmente, aos católicos, devotos e fiéis presentes no dia de celebração à Santa Padroeira.
O desprestígio da missa solene foi evidenciado pela ausência dos governantes e demais políticos, que, em um primeiro momento, tinham registrado na agenda o comparecimento à celebração à Padroeira da Bahia. Os políticos evitaram ir aos festejos para não se desgastarem. No altar, havia espaço dedicado aos governantes, mas os mesmos limitaram-se a marcar presença na festa em comemoração a Padroeira. Apenas alguns políticos foram vistos, a exemplo do ex-governador e vereador Waldir Pires (PT) e o vereador eleito Alexandre Aleluia (DEM) que compareceram e prestigiaram o tradicional festejo religioso e popular para exercitar a fé e a devoção para renovar os votos de uma atuação política de forma ética e consciente como desafios para os próximos anos.
A ausência de figuras políticas carimbadas e conhecidas do grande público não afugentou o público da festa popular. Mesmo assim, o comparecimento ficou abaixo do esperado. A expectativa era de que a festa superasse a expectativa de público. Ao contrário dos anos anteriores, nenhum político de peso ousou participar da festa. O único que se arriscou foi o ex-governador e vereador Waldir Pires que ficou em meio à multidão em frente ao palco montado próximo a Basílica de onde acompanhou a missa solene celebrada por dom Murilo Krieger.
A celebração e os festejos de Nossa Senhora da Conceição da Praia é uma das mais frequentadas por políticos em Salvador e por toda a Bahia. Os principais personagens políticos de Salvador e do Estado, que costumeiramente não faltam uma missa e procissão no local ao participarem da festa, este ano não compareceram ao evento.
Diferentemente dos anos passados, o arcebispo de Salvador, dom Murilo Krieger, deu um breve recado, com uma mensagem em um tom político e religioso ao mesmo tempo, destinada às autoridades em relação aos festejos. “É lastimável que não se valorize aqui uma festa de importância como essa porque Ela [Nossa Senhora da Conceição da Praia] é Padroeira de toda a Bahia. Nós devemos cuidar bem dessa responsabilidade de cuidar dessa festa, daquela que é a Padroeira, não apenas de Salvador, mas da Bahia. Espero que as autoridades acordem pra isso e ouçam os apelos que são feitos a partir deste santuário basílico”, critica Dom Murilo.
Já o Pároco da Igreja, Adilton Lopes, além de comentar a festa ao destacar a renovação da fé e da devoção dos católicos, deixou aflorar o tom político da celebração ao fazer críticas sutis a prefeitura e ao governo do Estado, embora o evento não tenha vínculo político, e sim, carrega um forte apelo religioso e popular. O pároco fez um apelo ao prefeito ACM Neto: proibir a venda de bebidas alcoólicas na festa da Padroeira. “As barracas autorizadas pela Prefeitura para vender bebidas alcoólicas perto da nossa igreja além do sambão são um absurdo. Faço um apelo ao prefeito. Os políticos que mandam fechar as ruas não tem fé. Aqui não é uma festa profana, é uma festa religiosa”, disse.
O Padre Adilton compara ainda a festa da Conceição com a devoção à Nossa Senhora de Nazaré no Pará onde, durante o Círio de Nossa Senhora mais de 2 milhões de turistas do mundo todo participam da comemoração religiosa. “O governo investe muito no Círio de Nazaré inclusive proibindo bebidas alcoólicas. O álcool é uma droga e uma festa religiosa não combina com isso. As pessoas vem rezar ou beber? Queremos rezar”, compara.
Conforme o TV Servidor mostrou, a reclamação em torno da ausência dos políticos e da falta de organização da festa da Padroeira da Bahia este ano é geral, tanto pela Igreja, quanto pelos católicos que defendem a preservação de uma das mais importantes tradições e manifestações religiosas e populares da Bahia. Quem sofre com isso são os devotos e fiéis à Santa, que como disse o próprio pároco da Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia, “Maria, a mãe de Jesus é a nossa mãe, a nossa Rainha. Há 45 anos, o Papa Paulo VI deu o título de Padroeira da Bahia. Como seria bom que as pessoas venerassem a Nossa Senhora e não deixassem essa tradição morrer”, finaliza.
Rafael Santana/Foto: Lucas Silva/TV Servidor
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